Four decades after it first terrified the world, William Peter Blatty’s The Exorcist is back! An extraordinary classic work of horror and dark paranormal suspense—widely considered one of the most frightening novels ever written—Blatty’s masterpiece of unrelenting chills was the basis for the acclaimed Academy Award-nominated motion picture directed by William Friedkin and starring Ellen Burstyn and Max Von Sydow. Rediscover the power of The Exorcist in this stunning 40th Anniversary Edition, as a desperate mother and two priests fight to free the soul of a little girl from a supernatural entity of pure malevolence.
The exorcist - 40TH ANNIVERSARY EDITION
William Peter Blatty
Não esperava muito, e ainda saí com menos
Eu vi o filme antes. Ou melhor, eu vi alguns minutos do filme, e dormi a maior parte, e não lembro de nada. Terminando aqui eu vou lá ver de novo, mas já sabendo o que esperar. Porque está no zeitgeist, né? Todo mundo conhece, já viu imagens, já viu trechos, já viu paródias... O filme é escandaloso, é um show de horrores, pessoalmente acho um pastelão. Sou fã de horror desde criança, mas isso me tornou um bocado dessensibilizado. Até por isso eu procuro horror extremo e splatterpunk pra sentir repulsa, nojo, revolta, porque medo mesmo... E esse filme pra mim é uma piada. Eu peguei o livro pra ler, na esperança de que fosse diferente, mais ambíguo, mais desmistificador, e sobretudo menos escandaloso e espalhafatoso, mesmo que seguisse para a mesma conclusão. Porém o saldo final é que pelo menos o filme acaba sendo mais honesto. Parece que o Bill tinha duas histórias para contar e estava indeciso entre elas. No fim não se resolveu e enfiou as duas no mesma batina, traindo a expectativa do leitor (pelo menos a minha) mais de uma vez. Um dessas histórias fala de um exorcista experiente que sentiu, de quase o outro lado do mundo, o retorno de um mal que já havia combatido e derrotado. A história da possessão da menina Regan por um demônio, um demônio de verdade, a história que todo mundo conhece. E eu estaria satisfeito com ela. Mas a outra história fala de um caso singular de transtorno de personalidade dissociativa, onde uma menina de mente altamente sugestionável leu algo que não deveria ter lido e acabou possuída pelos demônios que conjurou na própria mente. Essa história me atrairia mais, e funcionaria muito bem, quanto mais ambíguas as coisas permanecessem. O padre Karras passa vários capítulos ponderando fatos para tentar justificar um exorcismo, sem acreditar até quase o fim que realmente estava lidando com um demônio. Seria magnífico... ...se não fosse trágico. Trágico que o autor jogou esse potencial no lixo. Porque ao invés de medir o passo e não pisar fora da linha, ele deu um duplo twist carpado e caiu de bunda do outro lado. Tudo que acontecia ali, tudo, tinha explicação. Eu não sei sobre a capacidade de falar de trás pra frente, mas meticulosamente corrigindo a pronúncia para que a mensagem não apenas fizesse sentido mas também soasse perfeitamente normal. Não sei se existe evidência disso, mas eu acredito. Eu preciso acreditar, porque em um dos meus livros favoritos, Esfera do Michael Crichton, tem coisa mais absurda e no mesmo sentido, e eu engoli. Nem pensei muito sobre isso. Mas eu tinha certeza e até fiz umas pesquisas durante a leitura para confirmar de que NÃO EXISTE EVIDÊNCIA CONCLUSIVA DE QUE TELECINESE EXISTE. Eu não sei de onde o Bill tirou isso, mas ele estragou um livro de mistério, suspense e horror, com a maldita pseudagem científica. Porque o padre Karras, que também é psiquiatra, viu a Regan abrir e fechar uma gaveta há vários metros de distância dela e pensou: "não, isso não prova nada, é apenas telecinese e...". Sim, ela só queria chamar o sabre de luz vermelho dos Sith que estava guardado na gaveta, nada de mais. Mas vamos lá, eu ainda estava disposto a engolir essa atrocidade contra o bom senso se ele pelo menos continuasse jogando limpo. Se não houvesse nenhum fenômeno mais absurdo (como a Regan girar a cabeça 360 graus, haha, isso seria bizarro não é?), ou se no final depois de "curada" a Regan fosse submetida a acompanhamento para estudarem seus poderes telecinéticos (spoiler, não ocorreu), e a conclusão fosse de que não havia demônio nenhum ali ou que fosse ambíguo, mas pudesse ser atribuído a esses poderes "devidamente documentados e comprovados". Mas não, cara, a cama flutuou vários metros do chão! Sharon e Chris viram isso! E no fim a Chris ainda tinha dúvida se aquilo realmente foi uma possessão! Cara, se decide! Eu tenho um problema sério com certas histórias que todo mundo ou muita gente ama por aí, e que pra mim se estragam por detalhes pra mim super absurdos que os outros parecem nem notar, ou ignoram na cara de pau mesmo. Só que eu acho que o problema não é comigo. Vou alegar que é caso de possessão. Eu nem toquei no mérito de ter lido em inglês logo, longe de qualquer problema de tradução e da dificuldade de acompanhar o texto nos primeiros capítulos... Só pra que depois a prosa se tornasse bastante fluida e até prazerosa de ler basicamente o que me manteve lendo, depois dessa brilhante descoberta científica do Bill. Ou seja, ele começou a escrever todo empolado (em contraste, eu leio Lovecraft em inglês e não tenho dificuldades) e depois ficou com preguiça, seja de manter a mesma prosa, ou de revisar a do começo. Enfim, três estrelas e ainda acho que estou sendo leniente demais. Agora vou ver a catástrofe do filme.
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