De "Pracinhas" à Heróis, Somente Um Reflexo do Brasil e da FEB na 2ª Guerra Mundial.
Uma historia não pode ser tratada como um espelho, onde tudo que estiver a sua frente refletirá do mesmo modo que esta, reproduzindo os mesmo movimentos e as mesmas formas. Uma historia, por mais simples que seja, possui múltiplos reflexos e cada feixe deve ser analisado, a fim de obter muitas visões, lados e representações sobre o mesmo assunto. Com a segunda grande guerra isso não poderia ser diferente. A frente desse espelho se pode ver o reflexo dos alemães, dos americanos, dos japoneses, dos britânicos, dos franceses, dos russos e assim podemos ter reflexos dos Aliados e do Eixo. Mas um ponto pouco observado, que até se perde em meio a tantas representações refletidas, é a imagem do Brasil, um pais do qual obteve sucesso em suas missões por meio de soldados mal treinados, equipamentos inadequados e condições ambientais doentias. A grande guerra para o Brasil é retratada em diversos livros sobre a FEB (Força Expedicionária Brasileira), onde é contada as memorias e os momentos dos soldados em campo inimigo; e no livro Segundo Pelotão 8ª Companhia de Agostinho José Rodrigues, não é diferente. O reflexo do soldado em batalha é colocado em imagens marcantes de um ambiente pouco habituado, sentimentos revirados e sensações que vão da descontração ao perigo. Tomando como personagem principal o próprio autor, 2º Tenente do 11º Regimento de Infantaria da Oitava Companhia, o livro passa a visão particular de um homem que está a frente dos chamados Pés-de-poeira, encontrando terras geladas (chegando a quase -20ºC) e desconhecidas, enfrentando um forte inimigo que por inúmeros motivos possuem muitas vantagens. Numa linguagem e visão direta, pouco romanceada, porém bastante impactante do autor, somos lançados a territórios como Filettole, Rota 64, Bombiana, Guanella, Livornetto, dentre das quais imaginamos soldados falando o português brasileiro com lurdinhas gritando ao fundo e granadas explodindo, lançando estilhaços e poeira ao ar. Outras paisagens, agora montanhosas, são visitadas, como é o caso de Monte Castello, dellOro, Montilocco e Gorgolesco, que não poderia ser diferente, bombas, tiros, soldados ganhando e sofrendo baixas em missões arriscadas e perigosas, porém muitas delas vitoriosas. A obra de Agostinho José Rodrigues coloca o contexto social do soldado, percebendo-o ainda como um ser humano, que retêm sua decência moral através de um contexto difícil de batalha e até pelo mesmo motivo, se torna um Herói, pois, sobrevivendo ou não, lutou por um ideal, defendeu sua honra e de seu país, assim como cuidou de seus parceiros infantes. A escrita simples e parcialmente coloquial mostra ainda mais o contexto social, logo paralela a imagens de combate, algumas cenas cômicas, bem humoradas e de descontração em meio ao front e concentração, faz-se perceber o quanto o soldado, mesmo num ambiente hostil, é capaz de ter um riso e uma informalidade na guerra. Ao todo, quem puder saborear os 25 capítulos dessa obra, poderá ter uma nova visão do Brasil nos anos de 1943-45, devido à riqueza de honestidade ao descrever todos os momentos na linha de frente. Seja estudante de história, cidadão brasileiro, curioso, interessado, até mesmo paranaense em razão de o autor ser Veterano da capital, Curitiba e muitas passagens constarem pracinhas de inúmeras cidades do estado, como Lapa e Ponta Grossa, o livro, oferece ao leitor um novo reflexo ao espelho da Segunda Guerra, percebendo o quanto de imagens são despercebidas ao conhecer apenas o que nos é mostrado. Gilmar Leal

