Os Filósofos no Divã - Quando Freud encontra Platão, Kant e Sartre

    Charles Pépin

    Sulina
    2011
    262 páginas
    8h 44m
    ISBN-13: 9788520505960
    Português Brasileiro

    Este livro transporta o leitor para o consultório de Sigmund Freud, na rua Berggasse 19, em Viena. Cercado de objetos mitológicos, de uma ampla biblioteca que contempla obras de arte, filosofia, ciência, o famoso divã está à espera de mais uma sequência de clientes que vão abrir corações e mentes, falar sobre desejos calcinados, sofrimentos desavergonhados, aspirações a uma vida menos atormentada ou, pelo menos, menos cercada de sofrimentos, dores, recalques. Filósofo e romancista, Charles Pépin é o autor desta instigante proeza textual. Munido de livros, arquivos, documentos que aparecem elencados ao final do livro, coloca os três filósofos em análise. Aos poucos, revelações, obsessões, manias emergem das sessões: a obstinação de Platão em ser analisado de pé, a obsessão pela cronometria de Kant, a feiura de Sartre e sua descrença na psicanálise. São quarenta e quatro sessões ao todo que se intercalam de acordo com a disponibilidade de uma agenda previamente estabelecida: dezoito de Platão, treze de Kant, treze de Sartre. A narrativa de Pépin corre em um ritmo frenético, quase cinematográfico, que prende o leitor como um filme de suspense. Reflexões de Freud começam e encerram o livro, funcionam como um cenário cognitivo para o leitor comum.

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    Vitor Dilly picture
    Vitor Dilly29/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Idealismo, existencialismo, conhecimento... vão ao divã!

    A ideia deste livro é conduzir três grandes filósofos a sessões de psicanálise com... Freud! Platão, ou Aristocles, o pai do Céu das Idéias, reflete sobre o poder que o sobrenome exerce sobre ele, "Testa Larga", e como o encontro com Sócrates duplica esse poder. A sua análise também mostra como a morte de seu mestre o fez viver uma filosofia que não é a sua, criando o seu ódio da vida e do real. Sartre, da famosa expressão "a existência precede a essência", construiu uma filosofia de liberdade para provar a si que podia fugir da infância, onde foi afetado por solidão, feiura, pequenez, além da morte do pai e da insanidade dos avós. Desde aí soube que estávamos destinados a procurar o que somos no olhar dos outros. Para Kant, a razão pura não funciona para gerar conhecimento, é preciso prática, experimentação, empirismo. É obrigatório! É isso que nos impede de comprovar a existência de Deus, e é também isso que impedia Kant de amar: o imperativo "você deve."

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