Cenas da Nova Ordem Mundial -

    Sergio Augusto Avelar Coutinho

    Bibliex
    2010
    215 páginas
    7h 10m
    ISBN-13: 9788570114426
    Português Brasileiro

    Trata-se de uma recapitulação sucinta do Movimento Comunista Internacional e da atuação de suas correntes no Brasil. Oferece-nos um diagnóstico das maneiras pelas quais, atualmente, elas vêm avançando pela denominada “via pacífica”, aproveitando-se da passividade da sociedade brasileira, a fim de tomar o poder. Obra adequada em razão do atual momento político por que atravessa o Brasil.

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    Luiz Eduardo Carvalho28/11/2022Resenhou um livro
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    Cena por Cena, o filme da Nova Ordem Mundial é construído

    Livro: Cenas da Nova Ordem Mundial - uma visão do mundo como ele é Autor: Sergio A. A. Coutinho Sérgio Coutinho foi um general do exército que por um tempo exerceu o cargo de chefe do centro de inteligência do exército, além de ter tido experiência na área civil como assessor e superintendente na Companhia Siderúrgica Paulista, e também foi diretor administrativo do Grupo Teixeira Nunes. Publicou alguns livros sobre ciência política e cultura, e também, liderança na área empresarial, além de ter feito várias palestras sobre esses temas. Buscando complementar seu livro anterior, A Revolução Gramscista no Ocidente, expandindo e complementando diversos temas abordados, o autor afirma que ao longo dos anos a divulgação de diversas idéias foram provocando uma modificação do senso de realidade das pessoas, criando uma nova forma de senso comum, ao passo que muitas pessoas que visam combater o novo status quo são silenciadas ou sofrem um assassinato de reputação por alertarem sobre isso, somos, conforme é colocado o autor, aprisionados numa prisão sem grades, a análise desses fatos e dessas idéias que nos levaram a este momento são as "chaves" dessa prisão que pode nos libertar graças à este livro. O livro é dividido em 3 partes: 1) O Comunismo Não Acabou Nessa primeira parte é apresentado algumas das vertentes assumidas pelo comunismo e o seu caráter histórico de influência; temas como o Movimento Comunista Internacional, Escola de Frankfurt, Gramscismo, Anarquismo, Movimento Comunista no Brasil e a "Terceira Via". Existe a idéia de o comunismo acabou com o fim da União Soviética, entretanto é uma idéia equivocada visto que ao longo dos anos os diversos movimentos da Internacional Comunista que visam implementar suas idéias originaram diversas ramificações como: I) Intelligentsia Marxista-Leninista Trotskista, descendente da IV Internacional Comunista, uma linha mais radical do movimento e que possui sede em Bruxelas até hoje; II) Intelligentsia Marxista-Leninista Gramscista, foi bastante influente na Europa, mas hoje possui mais influência nas Américas, aplicado com mais fervor nas sociedades ocidentais; III) Intelligentsia Marxista-Leninista Stalinista, descendente da III Internacional Comunista, tem representação em países como China, Coreia do Norte, Cuba e Vietnã; IV) Intelligentsia Anarco-Comunista, grupo heterogêneo composto por socialistas, comunistas e anarquistas, além de ser representado por diversas ONG's e movimentos "antineoliberal"; O autor apresenta também as ideias do socialismo ortodoxo, heterodoxo, reformista e progressismo transnacional; é comentado também sobre os principais nomes da Escola de Frankfurt e suas propostas de revisão da cultura ocidental, juntamente com a continuidade de Gramsci na luta da hegemonia cultural e mudança do senso comum, o papel dos intelectuais orgânicos, o papel do anarquismo pra destruição do capitalismo. Por fim é apresentado a reverberação disso no Brasil e a formação dos partidos políticos com base no antigo Partido Comunista do Brasil junto com a idéia de "tomada de poder pela via pacífica". 2) Internacionalismo Intrometido Neste parte fala-se de temas como a Social-Democracia, a Sociedade Fabiana e o fabianismo no Brasil, o Consenso de Washington, o LaRouche, Globalismo e a governança global, movimentos ambientalistas e indigenista, e por fim o Foro de São Paulo. O autor aborda o filosofia da social-democracia como um movimento não revolucionário, mas sim revisionista ou reformista, visa provocar mudanças estruturais de forma lenta, chegando a ser considerados de "centro-esquerda" e associados ao Welfare State. Enquanto que o Fabianismo é um movimento que tem como influência os pensamentos de Stuart Mill e Stanley Jevons, e membros fundadores como Edward Pease, Sidney e Beatrice Webb, Bernard Shaw e H.G. Wells são alguns de seus membros mais famosos, o Diálogo Interamericano e Comissão Trilateral são permeado de personalidades que sofrem da sua influência, aqui no Brasil o movimento ganhou voz nos partidos PSB, PMDB, PSDB e em Fernando Henrique Cardoso, desde que voltou ao Brasil depois do exílio. Fala-se também sobre o Foro de São Paulo e o envolvimento do Partido dos Trabalhadores (PT) com listagem dos partidos participantes da América Latina, na época do livro, como materialização da III Internacional Comunista e várias outras coisas também são mencionadas. 3) O Mundo Cão Na última parte do livro somos apresentados aos temas da Nova Ordem Mundial, globalização, a temática da Nova Guerra Fria, a propaganda de perigo na Amazônia. A idéia de uma nova ordem mundial surge após a queda da União Soviética e a visão de uma nova configuração global, entretanto com os embates dos países Capitalistas, como primeiro mundo, os Socialistas, como segundo, e os países Subdesenvolvidos como terceiro mundo, aliado aos diversos movimentos já mencionados anteriormente, no jogo global com os movimentos islâmicos e sionistas, surge os conceitos de um Guerra Assimétrica, um novo modelo de guerra fria que se utiliza da economia, componentes ideológicos e da informação, assim a idéia de uma ordem global que possa organizar tudo isso por meio de entidades supranacionais é discutida pelo autor dentre outros temas, de forma que ao término do livro tenhamos todos os elementos necessários pra compreender, ao mínimo, o que é a Nova Ordem Mundial. Minha opinião pessoal é que é particularmente difícil fazer uma resenha melhor sobre o livro, visto que faz um tempo que li o livro, e também por ter muitas informações condensadas num único exemplar, dentre os livros introdutórios sobre a Nova Ordem Mundial, esse sem dúvida é o melhor, chega a ser melhor em vários sentidos do que os 2 livros do Alexandre Costa  (Introdução a Nova Ordem Mundial, e Brasil e a Nova Ordem Mundial), bem como os livros "Os Donos do Mundo", e "Política, Ideologia e Conspirações". É lamentável que não tenha a tamanha repercussão que merece se comparado aos outros livros citados. Este livro caiu em minhas mãos por acaso, pesquisando livros em Sebos, e foi um excelente achado, me fez conhecer o excelente acervo que a Biblioteca do Exército possui, esse sem dúvida fui um dos melhores livros lidos nesse ano. Diria que o único ponto negativo foi o prefácio, que não é escrito pelo autor, achei bem ruim a escrita e as informações apresentadas, totalmente irrelevante, em contrapartida o livro em si é muito bem articulado e escrito, o autor se da dá o trabalho de detalhar cada conceito necessário pra articular suas premissas e ideias, isso mostra o como o autor se debruçou em estudar os temas e trazê-los no livro para quem não conhece. No livro "A Nova Era e a Revolução Cultural", Olavo de Carvalho, cita esse autor de forma elogiosa, e tendo a concordar plenamente. O livro também conta com algo particular, ao término de cada capítulo somos apresentados à um esquema mental que ilustra a idéia do capítulo, ajuda bastante a compreender em síntese o assunto abordado. Vale muito a pena a leitura. "O cidadão encerrado nas muralhas do senso comum modificado, produzido pelos intelectuais orgânicos que conquistaram o monopólio do discurso e o poder de censura dos fatos, é o prisioneiro intelectual, ainda por cima, refém do patrulhamento ideológico e do guião politicamente correto. O cidadão, frustrado pelo mau desempenho de seu país, desiludido pela falta de competência dos seus dirigentes, inseguro diante da recém-emegida potência hegemônica e de uma conjuntura internacional adversa e ameaçadora, acaba sendo convencido de certas "verdades" e concordando com certas explicações que trazem enganoso apelo patriótico; ocultam, na realidade, compromisso com projetos ideológicos e com interesses políticos de grupos internos e estrangeiros. Sem se dar conta, o indivíduo torna-se prisioneiro do senso comum modificado. Adere ou desenvolve por si mesmo uma linha de pensamento e de opinião que faz sintonia insuspeita com afirmações do movimento de "transição para o socialismo". O "prisioneiro", consciente e explicitamente, repudia essa sintonia, mas inconscientemente e implicitamente colabora para a formação do Consenso." (Sérgio Coutinho, p. 16)

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