“O sacrifício pessoal é o preço do acesso aos caminhos da Grande Luz.” Bezerra de Menezes
Victor Hugo traz-nos uma história real dividida em três partes, narrando a trajetória da família chamada Patriarca de Jesus, imersa em processos redentores decorrentes das faltas cometidas em vidas passadas.
Já no início, encontramos Augusta Patriarca de Jesus, uma mãe desesperada diante do túmulo de seu filho suicida. Entre lágrimas e preces, busca, por meios extravagantes, resgatá-lo da situação de desespero e confusão mental em que se encontrava após a morte. Sendo médium, consegue percebê-lo em sua condição espiritual e testemunhar o sofrimento que se seguiu ao ato extremo. O suicídio, longe de ser um alívio, torna-se um engano cruel: além de se deparar com a continuidade da vida, o Espírito carrega consigo as dores que buscava evitar, acrescidas do peso do remorso e do despertar da consciência culpada.
A partir desse ponto, o autor nos conduz ao passado, revelando os acontecimentos que levaram àquele desfecho. Acompanhamos a família Patriarca desde a infância de Augusta e seus irmãos, que, ainda pequenos, perdem a mãe. Incapaz de sustentar e cuidar dos filhos, o pai, Demétrio Patriarca, decide separá-los, entregando-os aos cuidados de conhecidos e parentes.
Essa separação impõe grandes sofrimentos, especialmente para Augusta, que passa a viver sob maus-tratos, e para seu irmão mais novo, Armindo, confiado aos cuidados de uma mulher cruel, D. Marbela. Com o passar dos anos, os irmãos conseguem se reunir novamente sob o mesmo teto, junto ao pai. No entanto, desconhecedores do Espiritismo e da mediunidade, não compreendem os fenômenos espirituais que começam a se manifestar. Augusta, subjugada pela influência de um Espírito vingativo, Leclerc-Antoine, sofre um intenso processo obsessivo, que culmina em sua internação em um hospício — destino comum a muitos médiuns em tempos passados.
A partir de então, a família enfrenta provações severas, até que, em meio ao sofrimento, é apresentada ao Espiritismo por meio de um médium. Com sua orientação, compreendem a obsessão espiritual de Augusta e reconhecem a mediunidade abençoada de Armindo, um Espírito bondoso que renasceu com a missão de servir na seara do Cristo por meio do Espiritismo.
A história prossegue repleta de desafios e aprendizados, permitindo-nos refletir sobre temas profundos como a reencarnação de um obsessor no seio da família obsidiada, respeitando a Lei de Causa e Efeito; o suicídio e suas consequências; a obsessão espiritual; o poder do perdão e da superação — pois a redenção só é alcançada pelo amor, pela caridade e pelo esforço consciente de vencer o orgulho e os ressentimentos —; e a influência transformadora do Espiritismo na vida das famílias.
Leitura riquíssima, que nos desperta os seguintes questionamentos: que segredos o passado escondia para que Augusta enfrentasse uma obsessão tão cruel? Como a luz do Espiritismo poderia salvar uma família mergulhada em sofrimento?