Sob forma de um diálogo entre Túlia, uma mulher casada, e Otávia, sua jovem prima às vésperas do casamento, pode ser considerado um manual sexual, bem como uma apologia do direito das mulheres à plena fruição dos prazeres sexuais, numa sociedade que lhes era altamente repressiva não só em relação ao comportamento sexual, mas também ao pleno exercício de seus direitos e ao acesso à educação e às artes. É considerada a obra mais importante do século XVII europeu, e figura ao lado das obras de Aretino, de Sade, tanto em termos de intensidade erótica como de rigor estilístico. Trata-se da primeira tradução do original existente na Biblioteca Nacional da França, livro que, conforme consta na anotação bibliográfica, pertenceu a Pierre Louys, um dos maiores escritores eróticos do século XIX. O autor, Nicolas Chorier nasceu em Vienne, Departamento de Isère, na França em 1612. Advogado de formação e historiador por vocação, teve uma brilhante carreira jurídica e, em 1666, foi nomeado procurador do rei em Grenoble, onde faleceu em 1693. A alegoria Marte e Vênus percorre e colore toda a obra. Trata-se de um verdadeiro embate entre o homem que ataca, perfura, arromba, destrói e a mulher que se defende, esgota-o, busca sempre vencê-lo, derrotá-lo. A erudição tanto do autor como do tradutor está revelada nas muitas notas de rodapé que posicionam este livro, inédito no Brasil, entre os grandes clássicos da literatura erótica universal.