Para Ler Platão I - A ontoepistemologia dos diálogos socráticos

    José Trindade dos Santos

    Edições Loyola
    2008
    118 páginas
    3h 56m
    ISBN-12: 978851503532
    Português Brasileiro

    O primeiro tomo de "Para Ler Platão" concentra-se no estudo do grupo de diálogos conhecidos pela designação "socráticos" e identificados com a figura do pensador Sócrates. O mestre de Platão é apresentado aqui como uma personagem literária, na boca de quem são postos teses, argumentos, opiniões, comentários e narrativas, oferecidos para animar o debate com seus interlocutores. Os dois eixos centrais da presente interpretação são o problema da metodologia seguida por Sócrates em suas refutações, junto com a concepção do saber nela implícita, e o problema da natureza da virtude, sua unidade e diversidade, o modo da sua aquisição e a possibilidade de ensiná-la.

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    Paulo Gomes28/06/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Não é um livro introdutório

    O autor dividiu a obra “Para ler Platão” em três tomos. O primeiro tomo, intitulado “A ontoepistemologia dos diálogos socráticos”, possui uma Introdução (A interpretação do corpus platônico) e dois capítulos. O primeiro é intitulado “O problema das refutações socráticas” e o segundo “Virtude e saber nos diálogos socráticos”. A introdução traz um contexto geral dos diálogos platônicos, com proposta de divisão das obras para fins didáticos. O autor demonstra as dificuldades de interpretação de Platão e critica as correntes unitarista, evolucionista e analítica, comumente adotadas pelos estudiosos do filósofo. Segundo o autor, deve-se dar a devida atenção à especificidade da escrita dialógica, sendo que o “contexto dialético de um diálogo é a relação única e irrepetível entre personagens que colaboram na investigação de um tópico, perante uma audiência ao mesmo tempo real e ideal, exprimindo e debatendo opiniões suas, com pressupostos próprios e comuns a todos, exercitando-se pela argumentação com vista à sua educação e à dos outros”. No primeiro capítulo, “O problema das refutações socráticas”, o autor desvela o método socrático da maiêutica. Sócrates distingue-se dos outros homens por saber que não sabe. O erro dos homens é julgar saber, não sabendo, pois confundem suas opiniões com o saber e não se apercebem que elas podem estar erradas. Na chamada “metodologia elênctica”, Sócrates pergunta “o que é x”, há uma resposta (“logos”), em seguida obtém-se o assentimento do interlocutor a algumas premissas, mediante um argumento do tipo indutivo (“epagôgê”), chega-se a um “antilogos” e, por fim, a uma aporia. Esquematicamente: pergunta “O que é?” – logos – refutação – antilogos. O autor explica que Sócrates não está interessado no que o interlocutor “queria dizer”, mas em testar a avaliação que o outro faz das consequências da afirmação apresentada. A única pergunta que visa ao saber é aquela que inquire “o que é?”. A resposta deve visar uma única entidade, idêntica em todos os casos e nomeada com um único nome. As investigações devem identificar a natureza da entidade, a sua realidade, e descrevê-la com um “logos”. O processo deve conduzir, através da repetição de interrogatórios, da opinião ao saber, e é marcada pela autonomia, independência disciplinar, oralidade e caráter não-dogmático. Os diálogos usados como exemplo no primeiro capítulo são o Mênon e Eutidemo. No segundo capítulo (Virtude e saber nos diálogos socráticos: problemas), o autor destaca que, ao perguntar o que é a virtude, há uma tentativa autêntica de definição de um quadro de valores que permita avaliar a ação humana, nas situações a que se acha habitualmente submetido um cidadão. O texto aborda as virtudes da sabedoria, coragem, sôphrosynê, justiça e piedade, analisando os diálogos Cármides, República, Eutífron, Górgias e Mênon. Cheguei a esse livro por indicação do grande professor Victor Sales Pinheiro, pensando tratar-se de uma obra introdutória a Platão, mas acho que me equivoquei. Embora já tenho lido todos os diálogos de Platão, assistido a alguns cursos e lido alguns comentaristas, achei a obra um pouco complexa, além do que eu procurava no momento – um estudo que tratasse dos principais assuntos de cada um dos diálogos, para que eu pudesse fazer uma espécie de “revisão” do que já tinha estudado. Ademais, o autor não transcreve muitos trechos dos diálogos e não é didático.

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