A canção de Annie é uma história terna e comovente, que fala do poder do amor como forma de superação das debilidades físicas. Annie é uma jovem que ficou surda aos seis anos de idade e apesar de ser filha de uma família instruída e com recursos, sempre foi tratada como doente mental. Seus pais ignoram que a Annie é inteligente e que suas limitações decorrem apenas da surdez, e o tratamento egoísta que ofertam a ela é revoltante. A falta de instrução adequada e o seu isolamento social fizeram com que Annie criasse um mundo próprio, porém revestido de músicas e dos sons que ainda retinha em sua memória.
Annie se torna uma uma mulher bonita e inconsciente de seus atrativos. Durante um de seus passeios, ela se viu acuada e vítima da violência sexual. O irmão do estuprador, Alex, se vê diante da necessidade de acolher aquela menina mulher, linda e vulnerável, cuja vida fora irremediavelmente modificada pelos atos de seu irmão quando uma gravidez inesperada ocorre. Alex rompe vínculos com seu irmão, casa com Annie para proteger a criança e a jovem, mas nada o poderia preparar para intensidade do amor que ele passou a nutrir por ela.
A autora nos inebria com a história de amor entre duas pessoas com necessidades diferentes, mas que se completam com a mesma intensidade. O casamento se transforma em uma união de descobertas dando um novo rumo à vida de ambos. O herói faz tudo para que sua amada possa viver da melhor forma possível com as limitações próprias da surdez, ao mesmo tempo em que mostra a beleza existente nos caminhos do desejo e da paixão entre um homem e uma mulher. Ele oferece a Ennie um amor incondicional, onde cada toque, cada gesto, cada som, faz com que Ennie se sinta protegida, amada e capaz de sonhar pela primeira vez com a possibilidade de se sentir normal e feliz. É um livro lindo, em vários momentos me senti reprimindo um aperto no peito que a autora sutilmente desperta com sua narrativa emotiva, tocante, sempre enfocando a fragilidade das emoções humanas. Super recomendado.