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    Bolor -

    Augusto Abelaira

    Presença
    2005
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-13: 9789722332989
    Português Brasileiro
    4.1
    96 avaliações
    Leram163Lendo15Querem112Relendo1Abandonos4Resenhas6
    Favoritos7Desejados112Avaliaram96

    Augusto Abelaira escapará sempre a qualquer classificação que lhe queiramos atribuir já que a sua invulgar criatividade o projecta para além de géneros, correntes, geração ou outro contexto em que tentemos perscrutá–lo. Bolor, datado de 1968, tem no entanto sido considerado um dos livros que marcaram a passagem à pós-modernidade na literatura portuguesa. O que é indiscutível, é que este título tanto vem confirmar a maturação literária do seu autor como o seu empenhamento em agir sobre um modelo de sociedade que tenta ainda aprisionar os comportamentos dentro de valores que já pouco ou nada têm a ver com aquilo que mudou no quotidiano e na consciência das pessoas. Neste romance, sem perder a transparência da sua escrita, Abelaira inventa uma nova configuração ficcional, subtilmente mais capaz de deixar expandir–se a sua ânsia de aprofundar o questionamento do real. Sob forma diarística, Humberto, Maria dos Remédios e Aleixo são misteriosamente e à vez autores deste romance, que tem tanto de realista como de lúdico, tanto de ironicamente céptico como de passional e provocante, expondo a desagregação de um casamento pela acção subversiva do terceiro pólo deste (afinal) triângulo amoroso.

    Edições (2)

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    Resenhas (6)Ver mais
    José Sara Mago picture
    José Sara Mago21/03/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Cheiro Ruim

    Num diário que, escrito a quatro mãos, dialoga consigo mesmo até que duas novas interferem no assunto, e provavelmente já interferiam antes, no seu silêncio, já que o olhar do observador modifica o que é inspecionado, neste caderno que bem poderia ser o que são hoje os blogs compartilhado por diversos autores, estes três personagens, ou dois, ou apenas um, nunca sabemos, ou sabemos mas nunca com certeza, ou talvez até quatro se considerarmos aí as hábeis mãos, novamente elas, do autor, vemos um retrato deste nosso tempo em que não sabemos o que dizemos e se somos ouvidos, ou ouvidos e compreendidos, e temos dentro de nós sempre os vestígios de um amor embolorado que prometeu que desapareceria mas continua por perto, gerando, por cheirar mal, desconforto naqueles novos sentimentos que desejam mas não conseguem se aproximar.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 96
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas6%
    Augusto José de Freitas Abelaira profile picture

    Augusto José de Freitas Abelaira

    Augusto José de Freitas Abelaira, nascido em 18 de março de 1926, em Ançã no concelho de Cantanhede, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor, tradutor, jornalista, no Diário Popular, em O Século onde assina a partir de janeiro de 1974 a rubrica “Entrelinhas”, cronista em O Jornal com uma crônica intitulada “Escrever na água” (1978-92) e no Jornal de Letras onde assinou de 1981 a 1996 a crônica “Ao pé das letras”. Exerceu igualmente os cargos de diretor de programas da RTP (1977-78), de diretor das revistas Vida Mundial (1974-75) e Seara Nova (1968-69) e de presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-79), mas é sobretudo como dramaturgo e romancista que é recordado.

    7 Livros
    5 Seguidores

    Augusto José de Freitas Abelaira