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    Terra Prometida -

    Joan Lowell

    Melhoramentos
    1957
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    15 avaliações
    Leram18Lendo1Querem44Relendo0Abandonos2Resenhas6
    Favoritos0Desejados44Avaliaram15

    Este livro nos mostra que o mais importante e o único obstáculo insuperável é a atravancada mentalidade de quem está habituado a depender de coisas materias, ao invés de simplesmente reconhecer e fazer uso da generosidade da natureza.

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    Bia Nunes de Sousa picture
    Bia Nunes de Sousa12/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Hollywood no sertão de Goiás

    Quando a gente pensa em relatos de viajantes estrangeiros sobre o Brasil, em geral o que vêm à mente são os textos escritos na época do Brasil Colônia, quando gente como Sainte-Hilaire, Maria Graham, Hans Staden, Von Martius e outros andaram por nossas terras entre os séculos XVI e XIX e sobreviveram para contar a história. Mas Joan Lowell não é uma viajante como seus antecessores – ela mesma reconhece isso logo no começo de seu relato – e é isso que faz de <i>Terra prometida</i> uma leitura tão interessante. Em meados dos anos 1930, Joan era atriz em Hollywood e se apaixonou por um capitão de navio durante um cruzeiro pela América do Sul. O sonho do capitão era encontrar um rincão para chamar de seu e deixar a vida no mar (ele diz a Joan que antigamente “um capitão era dono de si”, mas “hoje é tudo pensado e ordenado por conselhos de administração”; o capitalismo já mandando a real desde 1935). O casal então parte rumo ao sertão do Brasil, com a incumbência de abrir uma estrada em Goiás, indo de Jaraguá (a uns 90 km de Anápolis), até o povoado de Lavrinha. O livro, então, é um relato pessoal dessa jornada, no qual Joan conta sobre os altos e baixos, as perdas, as dificuldades (até acusada de assassinato ela foi!) e os aprendizados práticos, morais e espirituais. A descrição que Joan faz dos sertanejos que passam pela estrada e com quem ela trava amizade me lembrou muito o que Antonio Candido escreve em <i>Os parceiros do Rio Bonito</i>. Enquanto Joan fala sobre aqueles que se deslocam, Candido fala sobre os que se assentam, mas os dois mostram a importância da cultura e dos costumes para a organização de uma comunidade. Estudiosa da alimentação como sou, gostei em especial das descrições do comer e do cozinhar. Mas a história de Joan também me lembrou uma referência bem menos acadêmica: a série de TV <i>Outlander</i>, cuja protagonista é uma enfermeira inglesa dos anos 1940 que viaja no tempo e vai parar na Escócia de meados do século XVIII. Claire tem que aprender a fazer tudo do zero, de roupas a antissépticos, e se valer de conhecimentos ancestrais para se adaptar à nova realidade. Com Joan ocorreu a mesma coisa, e ela adquire esse conhecimento das nossas mulheres sertanejas. Bacana demais isso. Não esperava que essa leitura me trouxesse tantas camadas. Vale a pena, viu?

    8 curtidas

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    4.4 / 15
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Joan Lowell profile picture

    Joan Lowell

    Joan Lowell foi uma atriz do cinema mudo estadunidense, tendo atuado essencialmente nas décadas de 1920 e de 1930. Antes de relatar sua temporada em terras brasileiras, a artista já havia causado um frenesi com seu livro anterior, Cradle of the Deep [Berço das profundezas, em tradução livre], lançado em 1929, no qual contava sobre o tempo de sua vida em que passou a bordo de um navio. Não demorou muito para que suas supostas aventuras marítimas fossem desmascaradas, levantando dúvidas sobre sua credibilidade. Essa controvérsia preparou o cenário para os eventos ainda mais surpreendentes e duvidosos de Terra prometida. Veio para o Brasil em 1935, pouco tempo depois da fundação de Goiânia, no contexto da “Marcha para o Oeste”, uma iniciativa do governo Vargas que visava ocupar e dominar terras supostamente vazias. Instalou-se em Anápolis, uma das cidades mais importantes da região da na época, e lá viveu, supostamente, as aventuras pitorescas que narra em seu livro. A obra, que quase virou filme, encantou e atraiu para o Brasil diversos artistas e Lowell tornou-se uma espécie de corretora de imóveis, intermediando a compra de fazendas. Na prática, porém, essas vendas eram fictícias e “dona Joana”, como era chamada pelos brasileiros, logo foi presa por fraude. Depois de ser libertada, mudou-se para Brasília, onde faleceu em 1967.

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    Joan Lowell