Diogo Antônio Feijó foi figura central nos acontecimentos políticos brasileiros da primeira
metade do século 19. Não apenas pelos cargos que ocupou deputado, senador, ministro, regente , mas principalmente porque integrava o grupo que arquitetou o modelo institucional do novo país, fundamentado em uma concepção que reservava para a elite branca o papel de ordenadora da nação. Não é de espantar que tenha sido objeto de várias biografias. O que causa estranheza é que todas tenham sido feitas num passado relativamente distante. A lacuna de uma abordagem mais moderna de sua trajetória foi preenchida por Assombrações de um Padre Regente, com a vantagem de que não se trata apenas de uma outra descrição da vida do famoso regente. Na primeira parte do livro, são analisados os diversos perfis produzidos pelos biógrafos; em seguida, é apresentada uma nova versão, também fruto de seu tempo, que assume a impossibilidade de elaborar um retrato fiel de sua personagem. Sem pretender que sua visão seja definitiva, ao se deter na análise do trabalho que a antecederam, a autora oferece um exercício instigante sobre Feijó, sobre o Brasil do século 19 e sobre os limites da narrativa biográfica.
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