Psico-Higiene e Psicologia Institucional -

    José Bleger

    Artmed
    1984
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-10: 8573075090
    Português Brasileiro
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    Yohanzinho 𐚁 picture
    Yohanzinho 𐚁20/04/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Numa medicina da totalidade, o orgânico, o psíquico, o emocional, o individual e o social são inseparáveis do que pertence ao homem e ao ambiente em que ele nasce, cresce, se desenvolve e vive.

    Uso esta resenha tanto para registrar um resumo das ideias principais (que pretendo revisitar posteriormente) quanto para compartilhar minhas reflexões sobre a obra. O livro aborda de maneira abrangente temas centrais da psicologia, incluindo psicologia clínica, higiene mental, psicologia institucional, psico-higiene, saúde pública e dinâmicas familiares sob a ótica psicanalítica. Embora seja teoricamente denso, com linguagem acadêmica e ilustrações explicativas, o autor consegue articular esses conceitos com aplicações práticas, especialmente no âmbito institucional e comunitário. Apesar do volume reduzido, a abordagem não é superficial - pelo contrário, aprofunda-se em questões complexas de forma concisa. Um aspecto que me deixou insatisfeita foi a falta de discussão sobre a divergência histórica entre os movimentos higienistas: enquanto o movimento médico seguiu rumo eugenista, o movimento psiquiátrico trilhou outro caminho. Embora não seja o foco principal do livro, senti que essa diferenciação enriqueceria a compreensão do contexto atual da higiene mental. Nos primeiros capítulos, o autor defende uma visão social da higiene mental, argumentando que ela deve transcender a abordagem individual e terapêutica. Segundo sua perspectiva, é fundamental compreender os aspectos psicológicos da saúde e da doença como fenômenos coletivos, integrando a psicologia ao campo da saúde pública. Essa proposta se desdobra na psicologia institucional, que rompe com o modelo tradicional ao analisar como instituições (hospitais, escolas, empresas) funcionam como organismos vivos - capazes tanto de promover saúde quanto de gerar adoecimento. O livro é enfático ao defender que o psicólogo institucional deve abandonar a posição cômoda do consultório para atuar ativamente nesse campo minado por relações de poder e estruturas enrijecidas - o que explica tanto a importância quanto os desafios dessa abordagem na prática profissional. Além disso, o autor alerta para os preconceitos que cercam a higiene mental, tanto no público geral quanto entre os próprios profissionais. Ele critica especialmente a oscilação entre dois extremos: a expectativa de soluções milagrosas e a desvalorização total de suas possibilidades. Essa polarização dificulta uma compreensão equilibrada no campo da higiene mental. Uma das propostas mais inovadoras é a mudança de paradigma no papel do psicólogo clínico, que deveria adotar uma postura proativa, saindo em busca dos usuários em vez de esperar que eles procurem ajuda. Essa perspectiva preventiva amplia significativamente o escopo da psicologia, transformando-a em ferramenta de promoção de saúde mental comunitária. Ao ler o livro no contexto atual, percebo uma contradição gritante: enquanto a psicologia ganha espaço como requisito institucional para melhorar ambientes organizacionais, também perde terreno devido à precarização profissional e ao adoecimento no trabalho. Essa tensão se agrava quando profissionais mais experientes delegam responsabilidades às novas gerações sem oferecer o devido suporte, sobrecarregando ainda mais. Sem falar em várias políticas derrotistas adotadas por diversos profissionais que já estão longos anos sofrendo em algumas áreas. Ao longo do texto, o autor também desenvolve análises profundas sobre dinâmicas familiares e oferece uma definição abrangente de comunidade, destacando como esses conceitos se inter-relacionam. Com clareza, ele defende que as intervenções psicológicas devem priorizar as interações familiares como sistema integrado, focando especialmente no jogo de papéis que se manifesta no "aqui-e-agora" da relação entre membros da família e terapeuta - em contraste com abordagens que isolam indivíduos. Essa perspectiva se mostra crucial para compreender padrões disfuncionais como o "círculo de ferro", as dinâmicas de famílias aglutinadas ou dispersas, e os núcleos familiares narcisistas, onde frequentemente observamos relações simbióticas que anulam a individualidade em prol de uma identidade grupal distorcida. Por fim, trata-se de uma obra rica em conteúdo e extremamente relevante, embora exija paciência devido à linguagem acadêmica e à complexidade dos temas. Algumas discussões poderiam ser mais atualizadas, especialmente no que diz respeito aos desafios contemporâneos da psicologia. Recomendo especialmente para quem busca uma compreensão crítica da psicologia institucional e higiene mental, mas com, para mim, foi apenas uma leitura acadêmica a densidade teórica de cansou bastante.

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