Frankenstein (Seleção Terror #2) -

    Mary Shelley

    [Rio de Janeiro] Tecnoprint Gráfica S. A. / Gertum Carneiro S. A.
    1963
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-10: 8500661020
    Português Brasileiro

    Em 1818, Mary Shelley (1797-1851) publicou um conto fantástico em que um cientista, Victor Frankenstein, é tomado pela ânsia de alcançar a glória através da Ciência. Em sua busca científica, desenvolve interesse pela física, pela química e, combinando ambas as formações, procura descobrir a origem do princípio vital latente em todas as coisas vivas. Descobrir, nesse sentido, significava poder dominar tal princípio e dar-lhe uma finalidade. Para ele, tal finalidade era banir a doença do coração humano, tornando o homem invulnerável a todas as mortes, salvo a provocada pela violência; assim, ele seria o criador de uma nova espécie, seres felizes, puros... que lhe deveriam a própria existência (SHELLEY, 2001: 41-56). Deste modo, nasceu a tragédia neoprometéica de Victor von Frankenstein. |...| Frankenstein, um brilhante estudante de medicina, revoltado diante da morte de sua mãe, isola-se do mundo e, obstinado, parte para a busca do supremo ideal humano: a conquista da imortalidade. A entrega a esta busca o faz criar e dar vida à Criatura, protagonista do romance. Contudo, tal criatura possui estatura gigantesca e marcas profundas, desfigurantes, oriundas das várias cirurgias a que seu Pai, o cientista-criador o submeteu... Indiferente ou incapaz de entender as vinculações e prever os trágicos efeitos de sua ação, Frankenstein abandona a criatura, afastando-a de qualquer elo afetivo. Rejeitado, só e à margem da Sociedade, esconde-se de tudo e de todos e, nesta postura solitária, "aprende" o mundo através dos livros. ===== Mary Shelley teria se inspirado na história do Dr. Konrad Dippel (1673-1734) para criar o personagem do Barão Frankenstein. O alemão Dippel era um alquimista famoso por ter inventado, por acaso, o ácido cianídrico. Ele tinha duas idéias fixas: fabricar ouro a partir de metais inferiores e dar vida a defuntos. Dippel foi expulso de Estrasburgo, acusado de exumar corpos "para bizarras experiências anatômicas". No ano de 1979, porém, o inglês Peter Haining anunciou outra descoberta: Mary Shelley teria se inspirado no cientista amador Andrew Crosse (1784-1855), autor de audaciosas experiências eletromagnéticas e metalúrgicas... ==== http://guiadoscuriosos.com.br/categorias/2988/1/10-curiosidades-sobre-o-frankenstein.html

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    Mateus Calazans picture
    Mateus Calazans27/06/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Frankenstein sempre foi para mim sinônimo de terror e monstruosidade. Quando alguém dizia o nome, ligava a um monstro aterrorizante e sanguinário, com o corpo grotesco e deformado. Tal foi minha surpresa ao ler o livro quando descobri que na verdade o monstro não se chamava Frankenstein e nem era aterrorizante como eu imaginava. Sinceramente, Frankenstein está mais para drama do que para terror. Entrei no mundo de Mary Shelley achando que estava entrando em um mundo assustador e bizarro, mas acabei entrando mesmo num universo triste, melancólica e de proporções graves. Foi uma decepção? Em certos aspectos sim. Mas mesmo não sendo o grande terror que eu imaginava, se mostrou um livro dramático excelente e que nos faz pensar na vida. O Dr. Frankenstein tentou aquilo que muita gente sonha: vencer a morte. Mas tudo o que conseguiu foi criar um monstro horrível, que amedronta todos aqueles que passam por perto. E o monstro é malvado, como sua aparência leva a crer? Absolutamente não. Tem o coração mole, é bondoso e está pronto a ajudar os outros. Mas o mundo acaba tornando-o abominável, por ser excluído de tudo. Quem não se tornaria assim em tal situação? O monstro, que a primeira vista deveria me amedrontar, acabou me conquistando. Comecei o livro achando-o bizarro, e terminei achando-o a criatura mais sofrida e solitária do planeta. Tudo o que fez ou deixou de fazer foi pelo fato de ter sido abandonado e desamparado por seu criador. Seu criador o abandonou, deixou-o a mercê do mundo, para que todos fizessem o que queriam com ele. Quando ele percebe em que situação está é que começam seus assassinatos e mortes. Todo sangue derramado não foi nada mais nada menos do que a consequência de tudo o que o mesquinho Dr. Frankenstein fez. Se analisarmos bem, veremos que o monstro é uma metáfora para todos os excluídos da sociedade, todos aqueles que as pessoas tentam se distanciar e que acham horríveis. Mesmo essas pessoas denominadas horríveis possuem sentimentos, e não tem o coração de pedra. Enfim, é um ótimo livro, com uma história excelente e um dos melhores personagens da literatura. Mas não caiam na bobagem de achar que o livro é de terror como eu pensei. Talvez esse pensamento seja fatal para a leitura.

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