Este romance estende o espaço do universo ficcional do autor baiano além de sua Bahia e seu Nordeste; a ação se desloca dos grandes planos do sertão e da região cacaueira, dos problemas que afligem as amplas massas populares para tratar, na paisagem da metrópole, o cotidiano de uma pequena parcela da capa intelectual; a personagem principal é ausente durante todo o tempo do romance que, ao contrário dos seus livros anteriores, é breve e rigidamente delimitado; a linguagem madura do autor molda-se num estilo sóbrio e saboroso, servindo com justeza a uma expressão de humor mais contido e flagrante que faz leve e divertido um texto dramático e basicamente político. Todas essas característica inusitadas singularizam "Farda Fradão Camisola de Dormir" na criação de Jorge Amado, a cujo conteúdo, no entanto, se prendem e dão continuidade reafirmando a mesma confiança na capacidade do homem de opor-se, em quaisquer circunstâncias, às forças - mesmo as mais poderosas e aparentemente imbatíveis - que o diminuem e o aviltam. Este livro, por isso que é romance, conta de como uns poucos e velhos literatos, totalmente desarmados, empreendem guerra e guerrilha contra avalanche nazista e a vigilante ditadura doméstica e delas, de maneira muito curiosa, saem vitoriosos, comprovando que os valores da cultura são essenciais como o pão e o abrigo e que, conforme a moral da fábula, "é sempre possível acender uma esperança".
Farda fardão camisola de dormir -
Jorge Amado
Record
1979
240 páginas
8h 0m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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