Um olhar através da matéria para denunciar os processos da memória e da escrita. Nabokov definiu este romance como "um conjunto de conversas sobre o amor", logo também sobre a vida, a morte e a escrita. Uma personagem, Hugh (You/tu), Peterson/Person (Pessoa)/Parson (Pároco), revisita os espaços do seu passado -- a Suíça, oito anos antes --, o tempo do seu sonambulismo, em que não distingue o sonho da vigília. Do mesmo modo, o autor viaja pela sua própria escrita, no recuperar de imagens e temas de textos anteriores (encontram-se ecos do herói de The Don/O Professor - 1957, ou de Lolita - 1959). Mais uma vez, Nabokov parodia o escritor convencional – aqui também o revisor de provas -- e, com a conivência do leitor, dilui os limites entre arte e real, palavras e acontecimentos: "Quando nos concentramos num objeto material, seja qual for a sua situação, o próprio ato da atenção pode levar-nos a mergulhar involuntariamente na história desse objeto. Os principiantes devem aprender a desnatar a matéria se quiserem que a matéria permaneça ao nível exato do momento. Transparências, através das quais o passado resplandece".
Transparências -
Vladimir Nabokov
Cedibra
1973
123 páginas
4h 6m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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