Orelha do vol. 136 da coleção Brasiliana: Coube a Tavares Bastos, como contrapartida de seu prematuro desaparecimento, que o fixou em nossa história cultural como uma coluna inacabada, uma rara felicidade: ter tido um biógrafo capaz de traçar-lhe um perfil modelar. Carlos Pontes, dotado de extraordinário senso de equilíbrio, escritor escrupuloso e investigador incansável, dedicou-lhe um livro que vale mais que um monumento: aere perennius. Foi editado nesta coleção Brasiliana em 1939 e logo se tornou uma raridade bibliográfica, tal a justa acolhida que teve por parte da crítica. O autor consultou os arquivos do próprio biografado - a Coleção Tavares Bastos - na Biblioteca Nacional, estudou criteriosamente os papéis de Saraiva e Nabuco de Araújo existentes no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, os documentos ainda existentes em poder da família, investigou a extensa bibliografia da época, leu os jornais contemporâneos, e com essa imensa preparação elaborou uma narrativa, densa de pensamentos, extremamente segura nos fundamentos, mas equilibrada nas proporções. É um livro para ser lido e não para se ter nas estantes. Cercou-o um raro bom gosto na linguagem correta sem pedantismo. O Tavares Bastos que ressalta destas páginas é uma figura humana, preocupado com os problemas sociais, econômicos e políticos do país, mas vivendo e absorvendo tudo o que há de superior e agradável na convivência de seus contemporâneos. Apaixonado por música, apreciando os poetas e os ficcionistas. Nunca lhe pareceu que a política o condenava a uma abstenção das artes. Não se poderia comemorar de modo mais digno o centenário do pensador senão reeditando esse primor de biografia. Às homenagens tributadas ao político e pensador, juntam-se as homenagens do seu digno biógrafo. A.J.L.
