Estilhaços (Apoio) - em tempos de luta contra a ditadura

    Loreta Valadares

    EGBA
    2005
    303 páginas
    10h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Este livro fala da história recente do país. É o relato de uma mulher, nascida em Porto Alegre, e que tornou-se baiana de corpo e alma. Advogada, professora da Universidade Federal da Bahia, militante política e feminista, dedicou-se apaixonadamente à vida, à resistência contra a ditadura, pelo socialismo. Militante da JUC, da Ação Popular e do Partido Comunista do Brasil, passou pelos anos rebeldes e o anos de chumbo da ditadura militar. Sempre com decisão de resistir e lutar, tinha profunda convicção e esperança na vitória do socialismo no Brasil e no mundo. Presa e brutalmente torturada em junho de 1969, resistiu bravamente às torturas, com altivez, enfrentando algozes e derrotando-os em seu próprio terreno. Assistiu ao que chamou de tortura maior: a tortura aplicada a seu companheiro de vida e de lutas, relatado no livro "As moças de Minas", 1989 de Luiz Manfredini. Saída da prisão, passa à clandestinidade, quando é diagnosticado grave problema cardíaco, com o qual passa a conviver, sem queixas e sem abandonar os ideais de transformação da sociedade. Vai com seu companheiro para o exílio, de início na Argentina, mais tarde na Suécia, onde desenvolveu trabalho intenso de solidariedade ao povo brasileiro e a todos os povos em luta. Dedicou-se particularmente à luta pela Anistia e pelo fim da ditadura no Brasil. Feminista destacada conta como tomou consciência da condição de mulher, analisando os problemas de gênero, em capítulos sempre intitulados "olhos de mulher". Com a anistia retorna ao Brasil, para Salvador, em janeiro de 1980, retomando ativa militância, já dirigente do PCdoB. Ministrava aulas de ciência política em São Lázaro. Haroldo Lima escreve no prefácio que o livro "é também um livro de amor, pois narra um caso de amor verdadeiro, o amor de Carlos e Loreta". O relato do livro encerra-se com o retorno ao Brasil. Durante mais de 30 anos travou luta pela vida, contra grave enfermidade, com aspectos extraordinários. Esteve hospitalizada diversas vezes, muitas em UTIs, realizou uma cirurgia cardíaca e sem outros recursos, submeteu-se a um transplante cardíaco, falecendo no pós-operatório. Sempre manteve uma postura altiva de combate e permanente pela vida, não se curvou diante de dificuldades e manteve a militância, com todas as limitações, até o último dia. Concluiu "Estilhaços" poucos dias antes de morrer. Deixou escrito "desejo que meu corpo seja cremado em São Paulo e as cinzas seja levadas para a Bahia, minha terra querida, e jogadas em Arembepe, a praia mais bonita do mundo." O livro é o retrato da confiança no que há de vir e que a esperança está sempre presente. Carlos A Melgaço Valadares.

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