Introdução à Hermenêutica Filosófica -

    Jean Grondin

    Unisinos
    1999
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-13: 9788574310206
    Português Brasileiro

    Por hermenêutica entende-se, desde o primeiro surgimento da palavra no século XVII, a ciência e, respectivamente, a arte da interpretação. Até o fim do século passado, ela assumia normalmente a forma de uma doutrina que prometia apresentar as regras de uma interpretação competente. Sua intenção era de natureza predominantemente normativa e mesmo técnica. Ela se restringia à tarefa de fornecer às ciências declaradamente interpretativas algumas indicações metodológicas, a fim de prevenir, do melhor modo possível, a arbitrariedade no campo da interpretação. Ela desfrutava de uma existência externamente em grande parte invisível, como "disciplina auxiliar" no âmbito daqueles ramos estabelecidos da ciência, os quais se ocupavam explicitamente com a interpretação de textos ou de sinais. Por isso formou-se, desde a Renascença, uma hermenêutica teológica (hermeneutica sacra), uma hermenêutica filosófica (hermeneutica profana), como também uma hermenêutica jurídica.

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    Caio Lobo10/11/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Hermenêutica é algo que todos fazem,mas não sabem como fazem

    Hermenêutica parece ser um troço que fiz tão bem a vida toda, mas ao mesmo tempo é algo difícil de penetrar nas bases teóricas. Tudo é interpretação. A questão é como interpretar: ser o mais neutro possível? Colocar nossa opinião? Nossa história de vida influencia a interpretação? Há verdades eternas ou são todas históricas? Tudo é relativo? O historicismo tem sido apontado como um dilema central e um obstáculo na filosofia desde Hegel (sempre culpa de Hegel). A questão fundamental reside na busca pela possibilidade de uma verdade e uma filosofia conclusiva, considerando a historicidade do mundo. Surge a indagação sobre se todas as verdades estão condicionadas pelo contexto histórico, levando a preocupações quanto ao relativismo ou niilismo. A tentativa de solucionar esse problema muitas vezes envolve apelos a autoridades supratemporais ou a elementos lógicos a-históricos, mas mesmo essas soluções, em última análise, são moldadas pelo historicismo, pois estão sujeitas a superações e persuasões de perspectivas variáveis Outra abordagem interpretativa está na prática de interpretação dos mitos, onde se busca, além do sentido literal, um significado mais profundo. Esse método envolve encontrar, por trás do sentido imediato chocante, uma interpretação mais simbólica. A utilização da etimologia é comum nesse contexto, buscando esclarecer a direção do significado oculto que transcende o sentido literal. Contudo essa prática também é marcada pela dualidade, uma vez que mesmo empregando a etimologia, permanece o desafio de ordenar corretamente o sentido literal, destacando a complexidade da interpretação alegórica Além disso, ao explorar a interpretação das Escrituras, vemos a teoria de Orígenes sobre os diferentes sentidos da escritura. Ele propõe a existência de quatro sentidos: literal, alegórico, moral e anagógico. Essa abordagem destaca a riqueza interpretativa da Sagrada Escritura, atribuindo-lhe um quádruplo sentido que reflete tanto a sua profundidade espiritual quanto sua aplicação prática. Já Hans-Georg Gadamer enfatizou a importância da aplicação na compreensão. Para ele, compreender um texto do passado significa traduzi-lo para nossa situação presente, ouvindo nele uma resposta discursiva às questões de nossa época. Gadamer defendeu a ideia de que não há interpretação ou compreensão que não responda a interrogações específicas em busca de orientação. Ele destacou que a compreensão e verdade, concebida como uma abertura de sentido, ocorre durante o processo histórico-efetual. Paul Ricoeur contribuiu com a hermenêutica ao explorar a dialética entre a interpretação e a aplicação. Ele enfatizou que a interpretação repousa sobre um solo dialógico numa conversa constante com o texto. Ricoeur aconselhou os intérpretes a ler entre as linha. Ele destacou a importância de reconhecer o próprio preconceito para permitir que o texto revele sua diversidade e ofereça sua verdade objetiva contra as pré-concepções do intérprete. Martin Heidegger, por sua vez, enfatizou a circularidade na interpretação e compreensão. Ele argumentou que o círculo entre a interpretação e a compreensão é inerente à estrutura ontológica do ser-aí, sendo uma característica fundamental do cuidado humano. Heidegger defendeu que o objetivo não é escapar do círculo, mas entrar nele adequadamente, compreendendo que a circularidade pertence à estrutura do ser-aí. Enquanto Emilio Betti buscou estabelecer princípios da interpretação. Propôs quatro: autonomia hermenêutica; totalidade e conexão significativa intrínseca da contemplação hermenêutica; atualidade da compreensão; correspondência hermenêutica de sentido. Esses princípios visavam tornar a objetividade da interpretação verificável, envolvendo desde a imanência do sentido até a harmonia entre a interioridade do intérprete e a estimulação do objeto interpretado. Então podemos ver que há hermenêutica para todos os gostos

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