Sabe aquele livro que de vez em quando você abre só pra matar a saudade dos personagens? Ou que deu vontade de reler um trecho ou outro que você relembrou de repente e que dá vontade de ler o livro todo outra vez? Essa sou eu com Nowhere Ranch.
Há vários jeitos de contar essa história: de dois homens solitários que encontram um lugar para serem apenas “eles”. De alguém que não tinha esperança e aos poucos se viu querendo montar projetos. De um lugar que prometia trabalho e se transformou em “família”.
“Love will grow through the cracks you leave open.”
Roe é um homem solitário, que arruma trabalho de fazenda em fazenda nunca se apegando a um lugar só. Travis é também um homem solitário, que ao contrário de Roe, procura acalmar a solidão tenho algo concreto na sua vida: a fazenda Nowhere.
Eles são funcionário e patrão que se encontram por acaso em uma situação constrangedora, e acabam passando o fim de semana juntos. Fim de semana esse com muito, mas muito muito sexo. Os dois se aventuram no mundo bdsm sem medo. Travis é dom experiente enquanto Roe é curioso e não se limita quando o assunto é sexo.
Mas aí entram as questões lógicas. Não é só porque os dois se dão bem na cama que fora dela tudo tende a se encaixar. Roe é arredio, não permite qualquer aproximação. Travis deseja, mais do que tudo, uma companhia. Alguém do seu lado pra ser apenas isso, uma companhia, seja ela sexual ou não.
O livro trata de vários temas delicados. Além da parte sexual com bdsm, os personagens - principais e secundários - vivem situações que variam do preconceito, dos medos interiores, dos planos pro futuro que a vida insiste em por pedras no caminho - seja do passado ou do futuro, e principalmente, da aceitação de si próprio.
É uma história envolvente. Heidi Cullinan consegue fazer isso com seus personagens, não é estranho você se ver completamente envolvida com o Roe - já que a história é narrada em primeira pessoa. Não se trata de um romance, mas de uma história onde um homem precisa, acima de tudo, aceitar quem ele é.
Já percebi que alguns atores de bdsm tendem a fazer o dom uma pessoa que não aceita nãos como resposta. Com Travis é diferente, não me lembro em nenhum momento do livro encontrar uma parte que ele agiu dessa maneira com o Roe. É sim bdsm, mas é um bdsm onde existe diálogo e não uma imposição de vontades.
Roe e Travis tem um relacionamento tímido que vai crescendo aos poucos, bom pra quem curte um romance feito a seu tempo, sem pressa de acontecer.
Até hoje tem sido um dos meus preferidos. Releio trechos diversos, o que só me faz gostar mais ainda. Recomendo!