Ayrton Senna - Um tributo pessoal

    Keith Sutton

    Siciliano
    1995
    217 páginas
    7h 14m
    ISBN-10: 8526707248

    Ter sido amigo, ou conhecido de Ayrton Senna era um negócio muito lucrativo em meados de 1994. Qualquer detalhe íntimo, ou informação exclusiva a respeito do recém-falecido piloto podia render um bom dinheiro. Ayrton Senna: Um tributo Pessoal (ed. Siciliano), de Keith Sutton, foi lançado originalmente no Reino Unido meses após a morte de Senna, tendo chegado às prateleiras brasileiras no ano seguinte. Sim, certamente Sutton deve ter levado uma boa grana. Mas o livro tem lá seus méritos. Visto que Keith Sutton é fotógrafo profissional, este é um livro de fotos: bem acabado, em capa dura etc. Mais do que isso, enquanto Senna estreava no automobilismo inglês de base, Sutton era um fotógrafo iniciante. A carreira de ambos foi muito ligada no início dos anos 80, e ambos ajudaram-se mutuamente. De Sutton, vinha o material publicitário que Senna mandava para o Brasil, garantindo patrocínios e visibilidade na mídia. De Senna, o fotógrafo conseguia material exclusivo de uma jovem promessa do automobilismo. Esta ligação não era apenas profissional. Ayrton era hóspede na casa de Sutton quando corria em Oulton Park. Já o fotógrafo era habitué dos jantares na casa que Senna dividia com Maurício Gugelmin e sua mulher, Stella, e até antes, quando era ainda casado com Lilian. O material imagético e textual desta fase da carreira de Ayrton é notável. O livro também cobre, ricamente, os anos posteriores, de Senna na Fórmula 1 – desde 1985, Sutton é dono de uma agência fotográfica dedicada às corridas, sendo até hoje um dos profissionais mais reconhecidos nesta área. Sem informações verdadeiramente novas a partir do ano de 1984, mesmo assim, as fotos agradam aos fãs do piloto, pela qualidade técnica e pelo significado que possuem. O prefácio é assinado por um amigo de Keith, que este também conheceu no início dos anos 80, nos mesmos pequenos e gelados paddocks britânicos: Martin Brundle, o piloto mediano da Fórmula 1 que duelou mortalmente com Ayrton pelo campeonato inglês de Fórmula 3 – vencido pelo brasileiro. O tom de comoção, como em qualquer publicação da época, é incontornável. Não espere uma simples análise fria da carreira de um piloto, mas uma homenagem e um registro digno de um profissional de sucesso – e de um herói.

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