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    Marx: estatuto ontológico e resolução metodológica -

    José Chasin

    Boitempo
    2009
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788575591468
    Português Brasileiro
    4.7
    6 avaliações
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    Em Marx: estatuto ontológico e resolução metodológica, J. Chasin, um dos grandes filósofos brasileiros, faz uma reflexão apurada sobre as conexões entre forma e conteúdo. A partir do legado marxiano, o autor busca reproduzir – pelo seu próprio interior – o trançado determinativo desses escritos, ao modo como o próprio Karl Marx os concebeu e expressou. A obra surgiu originalmente como um posfácio ao livro de Francisco José Soares Teixeira, Pensando com Marx, mas ganhou autonomia enquanto uma apurada e inovadora tentativa de apontar para a insuficiência das interpretações usuais do tecido teórico em Marx e também, como consequência inexorável, em Georg Lukács, a quem Chasin dedica todo um capítulo na obra. O livro busca desnudar o aspecto constitutivo desses autores para vislumbrar seu legado e as perspectivas transformadoras inerentes às suas teorias. Para Chasin, a ontologia marxiana não é um sistema de verdades absolutas e abstratas, mas, antes de tudo, um estatuto teórico. É a aplicação da dialética materialista ao próprio Marx. Nas palavras de Ester Vaisman e Antônio José Lopes Alves, que assinam a apresentação da obra, “Chasin dedicou sua vida ao programa de renascimento do marxismo e, assim, como no caso do filósofo húngaro [Georg Lukács], não se tratou nunca de um projeto intelectual como um fim em si mesmo, encerrado em seus limites hoje tão estreitos! Tratava-se, acima de tudo, de fazer a obra de Marx objeto de estudo rigoroso, com miras reais bem estabelecidas: compreender o mundo e visualizar as possíveis vias de sua transformação”.

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    Doney Corteletti Stinguel23/01/2021Resenhou um livro
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    Lista de Livros: Marx: estatuto ontológico e resolução metodológica, de José Chasin

    Parte I: “(...) Essa reflexibilidade fundante do mundo sobre a ideação promove a crítica de natureza ontológica, organiza a subjetividade teórica e assim faculta operar respaldado em critérios objetivos de verdade, uma vez que, sob tal influxo da objetividade, o ser é chamado a parametrar o conhecer, ou, dito a partir do sujeito: sob a consistente modalidade do rigor ontológico, a consciência ativa procura exercer os atos cognitivos na deliberada subsunção, criticamente modulada, aos complexos efetivos, às coisas reais e ideais da mundaneidade. É o trânsito da especulação à reflexão, a transmigração do âmbito rarefeito e adstringente, porque genérico, de uma razão tautológica, pois autossustentada – e nisso se esgota a impostação imperial da mesma, para a potência múltipla de uma racionalidade flexionante, que pulsa e ondula, se expande ou se diferencia no esforço de reproduzir seus alvos, empenho que ao mesmo tempo entifica e reentifica a ela própria, no contato dinâmico com as “coisas” do mundo. Racionalidade, não mais como simples rotação sobre si mesma de uma faculdade abstrata em sua autonomia e rígida em sua conaturalidade absoluta, porém, como produto efetivo da relação, reciprocamente determinante, entre a força abstrativa da consciência e o multiverso sobre o qual incide a atividade, sensível e ideal, dos sujeitos concretos. Marx ao revisitar a filosofia política hegeliana, sob a pressão da dúvida e a influência das mais recentes conquistas feuerbachianas, percorre exatamente as vias da interrogação recíproca entre teoria e mundo, o que lhe proporcionou identificar a conexão efetiva entre sociabilidade e politicidade, que fez emergir, polemicamente, como o inverso do formato hegeliano, implicando com isso a virtualidade de um novo universo ontológico.” * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2020/12/marx-estatuto-ontologico-e-resolucao.html XXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: “Grife-se em conclusão, para além do enunciado fragmentário da teoria das abstrações na obra marxiana, que seus lineamentos gerais proporcionam – é o que importa, de fato – um quadro de traços marcantes e consistentes, cujo estatuto ontológico se manifesta em todos os módulos nela imbricados. Vale sumariar, para ressalto da unidade, principiando pela referência à determinação da força de abstração como órgão peculiar da individualidade na apropriação ideal dos objetos, passando a seguir pelo caráter ontológico das abstrações razoáveis, ponto de partida do “método científico exato”, cuja delimitação é operada por intensificação de igual natureza, para alcançar a articulação, que ratifica o estatuto ontológico do conjunto pela absorção da lógica das coisas, e concluindo pela menção ao momento preponderante enquanto tônica categorial igualmente ontológica, caráter que também pertence às determinações reflexivas, uma vez que, marxianamente, essas são sempre configurações de pares ou conjuntos reais, interações concretas. De imediato esse contorno presta um grande serviço, esclarecendo de modo definitivo que, na reflexão marxiana, a tomada da realidade concreta como ponto de partida do conhecimento não implica nenhum empirismo, mas “caminhos objetivo-ontológicos” (Lukács), que tornam de maneira translúcida que qualquer roteiro analítico especulativo ou centrilógico é, para ela, totalmente inadmissível, seja pelo seu fundamento, seja porque suas exigências de rigor ultrapassam de longe o que podem oferecer os critérios lógico-formais em sua natureza homogeneizante. Por conseguinte, a teoria das abstrações se mostra como o arcabouço dos procedimentos cognitivos marxianos e, a rigor, está colada à base do que pode ser chamado de seu método científico.” * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2020/12/marx-estatuto-ontologico-e-resolucao_22.html XXXXXXXXXXXXXXX Parte III: “Em síntese, de posse da resolução ontoprática da problemática do conhecimento e da teoria das abstrações, Lukács disporia de meios para sustentar marxianamente a independência do ser em face da consciência, a possibilidade do saber científico e a prioridade do objeto como ponto de partida da ciência, sem lançar mão do débil estratagema do em-si epistêmico; da mesma maneira, teria compreendido o modo pelo qual a cabeça se apropria da realidade por meio do concreto de pensamentos, sem forçar à existência uma herança hegeliana pela reiteração sem brilho da tese do vínculo lógico entre Marx e Hegel, que em outras mãos acaba mesmo por se converter em dependência lógica do primeiro em relação ao segundo, o que é ainda mais despropositado. Tratadas por essas vias extrínsecas à concepção marxiana, as relações entre esses dois grandes autores findam inteira e perversamente obscurecidas, contra as melhores intenções analíticas, inclusive as de seus mais sofisticados praticantes.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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    José Chasin

    Filósofo, professor e editor, foi um militante radical e resoluto estudioso da obra marxiana. Participou das revistas Brasiliense, Temas de Ciências Humanas, Nova Escrita Ensaio e fundou as editoras Senzala e Ensaio. É um dos mais notáveis lukascianos brasileiros.

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    1 Seguidor

    José Chasin