A ambientação na cidade de Santos é fidedigna ao descrever alguns dos pontos como o Aquário e a Avenida Portuária e parte da ação passa no Guarujá,. no edifício Sobre As Ondas e, infelizmente, esse é o maior mérito.
A trama, narrada do ponto do criminoso, trata de um sequestro simulado com a ajuda da vítima afim de extorquir o dinheiro do pai da mesma - com tudo a que se tem direito - sexo, traição, morte à rodo, reviravolta. Tem de tudo mas como na cozinha ,não basta ter todos os ingredientes; para ser apreciado é preciso saber mixá-los e apresentá-los
Os personagens são uni-dimensionais - fulana aparece na estória, bum morre! Fulano vem atacar o narrador, somos apresentados ao chefe do atacante, bum atacante morre, aparece amigo do narrador, adivinha...?
E assim segue - como num jogo de sinuca-demonstração aonde as bolas aparecem e são encaçapadas uma-a-uma em rápida sequência, as situações são apresentadas e liquidadas o mais rápido possível - não existe envolvimento nem com o personagem principal, o qual ao tentar passar a imagem da inevitabilidade amargurada do crime soa mais como um adulto ranheta.
O final não chega a ser exatamente uma surpresa . dado o tom soturno do personagem, mas mesmo assim não há clímax nem antecipação. Situação aparece, situação resolvida. Ponto.
Quem quiser um enredo simples, com bastante espaçamento para render mais os diálogos , de um estória de crime sob o ponto de vista do criminosos, para ler em uma horinha taí uma boa dica.