O livro explora o contato entre os sistemas etílicos postos em cena nos séculos xvi e xvii. De um lado, o sistema indígena das cauinagens - a bebida-alimento fermentada à base da mandioca - cujas características e significados culturais são analisados à exaustão. De outro lado, o sistema etílico do colonizador português - o do vinho, também alimento! - cujas origens e significados na história ocidental o autor apresenta em minúcias. Em meio a descrições, inclusive técnicas, sobre o fabrico das bebidas e os cerimoniais acoplados ao consumo delas, João Fernandes enfrenta diversos tabus - de que o assunto, em si mesmo, está cheio. Por exemplo, destaca o papel crucial das mulheres no sistema do cauim, relativizando o lugar secundário que a etnologia dedicou à condição feminina no mundo tupinambá. Outro exemplo: as peculiariades de cada subsistema etílico europeu - o dos vinhos, o das cervejas e o dos destilados, tudo assim mesmo, no plural, porque, conforme a sociedade ou o tempo, o significado das bebidas variava, sem contar que o tipo de cada uma das bebidas jogava papel decisivo no campo das relações sociais e representações ligadas à embriaguez.
Selvagens Bebedeiras - Álcool, Embriaguez e Contatos Culturais no Brasil Colonial
João Azevedo Fernandes
Alameda
2011
238 páginas
7h 56m
ISBN-13: 9788579390685
Português Brasileiro
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