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    O espírito da filosofia medieval (Coleção Paidéia) -

    Étienne Gilson

    Martins Fontes
    2006
    591 páginas
    19h 42m
    ISBN-10: 8533622910
    Português Brasileiro
    4.2
    12 avaliações
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    Nas palavras do autor, este livro se trata de uma definição o espírito da filosofia medieval, "por causa da opinião bastante difundida de que, embora a Idade Média tenha uma literatura e uma arte, não tem uma filosofia que lhe seja própria." "Tentar trazer a lume o espírito dessa filosofia era condenar-se a fornecer a prova da sua existência ou a confessar que ela nunca existiu. Foi procurando defini-la em sua essência específica que me vi levado a apresentá-la como a "filosofia cristã" por excelência. Mas, nesse ponto, a mesma dificuldade me aguardava em outro plano, porque, se por um lado se negou a filosofia medieval como fato, negou-se também a possibilidade de uma filosofia cristã como idéia." Essas são as problemáticas que se apresentaram para Gilson durante as Gifford Lectures, ministradas em 1931 na Universidade de Aberdeen, e através das quais nesse livro o autor procura interpretar, filosófica e historicamente, o saber filosófico medieval.

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    Felipe Correia Pimenta14/03/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O otimismo católico

    O verdadeiro espírito da filosofia medieval pode ser definido por um pensamento de Santo Anselmo: "uma fé que busca a inteligência" A filosofia já havia atingido o seu ponto máximo com a doutrina aristotélica, e o que o filósofo Tomista Etienne Gilson pretende nos apresentar nesse livro, é o que a filosofia cristã ou árabe trouxe de novo para o pensamento do homem ocidental. Gilson analisa a teologia cristã desde o início da patrística até a filosofia de Guilherme de Ockham. A primeira questão a ser respondida é: Aristóteles e Platão tiveram a noção de um Deus único e se aproximaram do Cristianismo de alguma forma? De certa forma eles chegaram, sim, a ter uma ideia da revelação cristã, mesmo que de forma imperfeita. Platão com o seu mundo das ideias muito influenciou Santo Agostinho, mas sua filosofia tinha uma concepção errônea da matéria ( mundo sensível), o que levava a um pessimismo e desconfiança do corpo humano e dos trabalhos manuais. Isso se refletiu na filosofia de Plotino, por exemplo. Já Aristóteles com sua filosofia realista, que foi praticamente ignorada na antiguidade, pois mesmo Santo Agostinho a conhece pouco, teve muita influência no islã e no cristianismo da escolástica. A noção aristotélica do primeiro motor foi à que mais se aproximou do Deus único do cristianismo e do islã. Os cristãos perceberam, no entanto, que Aristóteles, apesar de não considerar à matéria como má, tinha a opinião de que nela havia alguma potência de causar a desordem. O cristianismo teve que lutar logo no início contra a heresia dos gnósticos, que tinham como base muita influência da filosofia dos neoplatônicos. Os filósofos cristãos combateram o pessimismo gnóstico com um otimismo de um Deus que não está exposto à nenhuma causa intermediária. Quem mais contribuiu para afirmar a dignidade da matéria foi Santo Agostinho, que afirmava que a matéria não é a causa do mal, pois o mundo como Deus criou é excelente, e teria continuado a ser, se uma falta nascida no reino do espírito e não no da matéria, não houvesse introduzido a desordem até na matéria. Para a filosofia católica, toda a natureza é boa e não nega o mal, mas mostra seu caráter negativo e acidental. O cristianismo é um avanço em relação à filosofia da antiguidade pela novidade das virtudes teologais, assim como a noção de humildade, desconhecida dos antigos. Outra contribuição da filosofia cristã é a afirmação que Deus criou tudo a partir do nada, que os filósofos antigos, especialmente Aristóteles, não puderam compreender. A filosofia cristã atingiu o seu auge com São Tomás de Aquino, com suas provas racionais da existência de Deus a partir dos efeitos por nós conhecidos, e da sua doutrina da afirmação da união do corpo e da alma, afastando o perigo do espiritualismo exagerado dos platônicos. É claro que a Escolástica teve muita influência de Avicena e Averróis, por causa de que os filósofos do islã tiveram acesso primeiro à filosofia aristotélica. Avicena, em especial, dará a São Tomás de Aquino a definição célebre de que a verdade é a adequação do intelecto ao objeto. Entretanto, mesmo Avicena teve os seus erros e imperfeições detectados pela escolástica. O grande problema foi que a filosofia de São Tomás de Aquino foi desde o início combatida por Duns Scot e Guilherme de Ockham, que introduziram no Ocidente a noção de dúvida muito antes de Descartes. Nasce então a crença de que fé e razão estavam separadas; que o conhecimento geral e teórico era inútil, pois só a experiência aplicada aos particulares seria válido. Com o surgimento do fideísmo, a fé passa a ser sentimental e particular, abrindo caminho para Lutero. A filosofia católica já tinha as respostas para as incertezas trazidas pelo Renascimento. Por exemplo,Lutero e Calvino nos dão a imagem de um universo cristão cuja natureza é corrompida pelo pecado; mas a teologia católica de Santo Agostinho faz verdadeiros elogios à natureza decaída.Ele deplora o que perdemos, mas nunca pensa em desprezar o que nos resta.Para Gilson, a Renascença marca o início da era em que o homem se declara satisfeito com o estado de natureza decaída. Foi a filosofia cristã da patrística e da escolástica que declararam o trabalho manual como digno, e o ser humano como o centro da criação divina, concedendo à espécie humana uma enorme dignidade. O espírito da filosofia medieval foi a busca de uma fé racional, que possibilitasse ao homem reconhecer à sua natureza de pecador pelo pecado de Adão, mas que pela Graça divina pudesse saber que Deus caminha sempre ao seu lado na história, e que ele não está abandonado em um mundo com muitas adversidades, mas que o cristão sabe que é o que Deus poderia ter feito de melhor. O resultado foi um grande otimismo que impulsionava o homem medieval, que via no mundo e no universo a imagem do Deus criador. Sabemos que tudo isso viria a ser destruído depois pela filosofia moderna, que transformou o homem em um híbrido de macaco com ser racional, e que vê o mundo, da mesma forma como os gnósticos do início da nossa era, como sendo essencialmente mau pela própria existência do homem, no qual acreditam que seria melhor que não existisse. Publicado em http://resenhasdefilosofia.wordpress.com/

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    Étienne Gilson

    Étienne Gilson (Paris, 13 de Junho de 1884 — Cravant (Departamento de Yonne), 19 de Setembro de 1978) foi um filósofo e historiador da filosofia e um dos mais destacados autores da filosofia neo-escolástica, especialista no estudo da obra de São Tomás de Aquino.Foi também um incansável defensor da Filosofia Cristã, defendendo a sua real existência, a sua historicidade, a sua importância na história do pensamento em geral e a sua função na Filosofia, na Teologia e na Igreja Católica.

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    Étienne Gilson