Milhares de anos depois do anúncio da existência do continente perdido da Atlântida, feito pelo filósofo Platão, a história ainda é considerada como imaginária em pleno ano de 2012, principalmente pelo cético e crítico jornalista Ivan Braga. Este ceticismo começa a ser abalado depois que Ivan é contratado para realizar um documentário em plena mata. O jornalista nem suspeita da real intenção de seus patrocinadores - dirigentes de uma organização esotérica secreta mundial. “Confesso que eu era bastante cético. Diziam que os guaranis são descendentes dos atlantes e que construíam pirâmides para harmonizar o planeta. Inicialmente, fiz o trabalho por dinheiro. Mas, coisas como um índio vestido de terno portando uma cruz esquisita no peito, mitos sobrenaturais indígenas semelhantes aos contos europeus e histórias fantásticas sobre Atlântida, guaranis e o poder das pirâmides abalaram minhas convicções. Depois de enfrentar na selva índios hostis, traficantes e a ira de um general, parece que fui ‘iniciado’ dentro de uma pirâmide no meio mato. E ainda conheci minha amada”, disse o jornalista Ivan Braga.
Em busca da terra sem Mal - A pirâmide Amazônica
Claudio Rangel
Ganhei este livro no sorteio entre blogues literários realizado pelo Clube dos Novos Autores e o recebi com um lindo kit. O livro possui um excelente acabamento e uma capa diferente e enigmática. Ao ver essa capa exótica e a sinopse intrigante, não tem como o leitor, ao menos, não sentir grande curiosidade sobre o livro. O autor possui uma boa narrativa, fluida e dinâmica. Encaixa-se perfeitamente na proposta de um livro de aventura e ação, gênero predominante da história, apesar de termos também romance. Além disso o livro é fantástico com muitos ingredientes sobrenaturais, presentes no folclore indígena, lendas milenares e sobre Atlântida. Impressionante como o autor expõe a cultura indígena, mostrando mitos, tradições e hábitos. Com certeza foi um grande presente ler um livro com essa temática. Quase não encontramos livros genuinamente brasileiros, ou seja, explorando o folclore brasileiro, transformando-o em um bom livro de fantasia. Aliado a isso, aparecem as teorias do fim do mundo em 2012, com seus terremotos e catástrofes cada vez mais frequentes. A história se inicia em meio de 2012. Há também uma crítica social, sobre o direito do índio de manter suas tradições e ser respeitado; uma crítica ecológica, sobre como a Humanidade vem tratando o ecossistema do planeta. O autor acrescenta muitas coisas interessantes a trama, como grupos indígenas rivais, traficantes de cocaína e militares poderosos. Além desses grupos exóticos se enfrentando em plena selva, temos os exploradores que estão em busca de algo totalmente incrível e inacreditável: uma pirâmide mágica em plena floresta Amazônica! O grupo é formado pelo protagonista Ivan, um jornalista cético que acaba se juntando aos exploradores para gravar um documentário sobre a Terra Sem Mal. Apesar de não acreditar em nenhuma lenda ou história esotérica, ele aceita o convite de dois britânicos que financiam o projeto por causa do dinheiro e por causa da bela mestiça Luana. Descendente de índios e irlandeses, Luana é antropóloga e arqueóloga; uma mulher lindíssima e culta, e muito corajosa. Ela foi criada em meio aos índios guaranis e é perita em sua cultura. J. Gomes é um fotógrafo freelancer que adora festas, bebidas, mulheres e dinheiro. Aceita integrar a equipe que produzirá o documentário pelos mesmos motivos de Ivan: Luana e o pagamento. Kaiowa é um índio experiente e inteligente, com modos europeus, o que faz dele o integrante mais intrigante e misterioso do grupo. Ele tem o mapa e sabe tudo sobre a pirâmide misteriosa. Vão ainda com eles o cinegrafista e o ajudante, completando o grupo principal - dupla responsável por algumas risadas. A trajetória não é nada fácil, os perigos da mata, animais selvagens e seus segredos são obstáculos a serem ultrapassados. Os militares que querem impedir que os exploradores cheguem a pirâmide e os traficantes interessados no ouro do local são também barreiras complicadas. Porém o perigo maior talvez seja a magia da selva, com seres fantásticos e acontecimentos chocantes. Situações de risco e emoção, aonde não se distingue o que é real e o que é imaginário. Através de trilhas e tribos o autor nos faz viajar em meio a emocionante aventura na maior e mais desconhecida floresta do mundo. Será que Ivan conseguirá romper seus preconceitos contra o desconhecido? Seu ceticismo se manterá intacto após inúmeras provas de que o fantástico existe? E ele conseguirá conquistar o coração de Luana, a bela índia cientista? Tenho uma reclamação sobre a moça. Não sobre ela exatamente, eu adorei a personagem: ousada e inteligente. O problema está no fato de todos os homens a tratarem como um pedaço de carne. Todos deixam a moça constrangida com tanto que tentam seduzi-la. Mas ela não é boba! E a segunda reclamação é sobre a revisão precária. Encontrei inúmeros erros gramaticais, alguns grosseiros. Na diagramação os hifens substituem os travessões em grande parte do texto. Mas é claro que nada disso atrapalha a leitura, a história é muito boa para deixarmos de ler por falhas técnicas. Meu conselho é que o autor ao publicar uma segunda edição se preocupe com esse detalhe. Eu me diverti muito durante a leitura, me lembrei da época em que lia algumas aventuras da série Vagalume quando criança, só que num nível adulto, claro. Ás vezes me sentia como num filme estilo Indiana Jones ou A Múmia, só que em pleno solo brasileiro. Quem gosta de mistério, mitologia, aventura, conspirações e folclore indígena vai adorar o livro, bem diferente! Trechos: "O coronel Peixoto imediatamente iniciou o recrutamento de homens, armas e equipamentos. Iria atrás de Ivan e seus amigos. O objetivo era impedir que o grupo de Kaiowa e Ivan Braga chegasse na pirâmide amazônica." "Diaz colocou o mapa no bolso. Recebeu um recipiente de mandioca recomendado por um de seus capangas, comeu, voltou-se para o grupo e disse: — Vocês ganharam mais uns dias de vida. Seguirão com a gente." "Cerca de quinze mulheres se puseram dispostas em um círculo, no pátio central do povoado. Cada uma empunhava um pedaço de bambu, com que marcavam o tempo do cântico. Luana era uma delas." "Seguiu-se um silêncio gelado. Lá estavam eles, três seres humanos parados diante de um lago. Nenhum outro animal ousava a se aproximar daquela área. ... E mais uma vez ouviram o som doce, suave e de tom baixo. Parecia um murmúrio. Um gemido feminino." "Ao ver o índio civilizado entrar na sala, Ivan Braga começou a se perguntar se estaria no caminho certo por ter aceitado o trabalho proposto por aquela gente esquisita." "Ao sentar em um galho firme, Rodolfo olhou para baixo e viu o monstro que o perseguia. O ser sobrenatural parou por uns instantes." "Era um cordão de fios dourados. Sustentava um pedaço de material brilhante, uma pequena pedra, mais semelhante a uma pirâmide de cristal, que pousava suavemente entre os seios." Mais resenhas em www.leitoraviciada.com
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