Damário Dacruz, um poeta de travessias No sul do Daomé, entre as etnias de língua fon, gun e iorubá, o evento do nascimento, seus antecedentes ou os incidentes que o acompanham, determinam o nome de cada indivíduo. Esses nomes, carregados de sentido e memórias, inscrevem as pessoas na vida, mas não precisam seu curso. Quando em 27 de julho de 1953, um filho de Odé nasceu na Bahia, quiseram os deuses, homens e mulheres, que se chamasse Damário. Nada sabiam aqueles seres humanos dessas etnias e suas forçadas travessias. Nada sabiam dos povos jeje do Recôncavo, seus pejis, seus afins, seus dangbés, mares, riachos e rios, suas cobras e arco-íris. Quiseram os ancestrais juntar os vãos, danh, mar, rio, obra de feitiçaria. Feiticeiro de versos em movimento. A poesia de Damário Dacruz se move em águas reais e imaginadas, atravessa certezas, embaraça dúvidas e escolhas, bebe luas, tropeça em ausências, deseja amores e sustos. Tudo demasiado humano, ele e seus olhos, nós e nossos olhos, chamados a ver e nos rever, convidados a nos ultrapassar como quem sonha transpor o sol, conduzindo-nos a outra margem, para exercitar a vida e a diferença. Esse humano, poeta de travessias. Edmar Ferreira - Poeta, mestre em História
RE (SUMO) -
Damário Dacruz
Pouso da Palavra Edições
2008
46 páginas
1h 32m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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