O que você deseja para sua filha? Como gostaria que ela fosse no futuro? Embora muitas sejam as respostas possíveis para essas perguntas, certo que você deseja que ela se torne uma mulher forte, segura e confiante. E isso, em grande parte, está em suas mãos.
Criando meninas -
Gisela Preuschoff
Como NÃO CRIAR meninas. (Há SPOILER!)
Não faço ideia de onde começar a falar sobre esse livro. Muitas coisas foram ditas, encontrei várias incongruências, informações falsas, posicionamentos asquerosos e perturbadores. Enquanto lia, fui buscar a formação acadêmica da autora e percebi que ela é psicóloga. Sinceramente, não sei o que foi passado a essa mulher, mas ela tem a mente totalmente deturpada, ou melhor, seu caráter é duvidoso. Não consigo encontrar outra justificativa para o que foi dito nesse livro, senão a falta de caráter. A autora tinha toda capacidade do mundo para escrever um livro que revolucionasse o aspecto educacional de meninos e meninas. Quando se torna possível entender as diferenças entre meninos e meninas nos aspectos biológicos, fisiológicos, psicológicos e comportamentais, tudo fica mais fácil, pois os pais conseguem entender certos comportamentos de seus filhos e, com isso, podem agir com assertividade. Entretanto, a autora quis chafurdar a obra com achismos e opiniões extremamente duvidosas e, muitas vezes, até criminosas. O livro poderia ser usado até como base para cursos nas áreas de educação infantil, mas ela negligenciou inúmeros assuntos indispensáveis a um livro que aborda o comportamento feminino desde o momento da concepção. Assuntos como feminilidade, segurança, modéstia e outros pontos são de grande valor, mas foram deixados de lado. A negligência desses pontos resultarão em meninas deslocadas de seus propósitos de vida. Basicamente, os pais criarão meninas à deriva e isso pode ocasionar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento social das crianças. Também devo dedicar um parágrafo desta resenha aos absurdos ditos pela autora. O livro é de fácil leitura, mas há pontos em que ela solta umas opiniões totalmente deslocadas e perigosas. Além de desinformar, ela diz coisas que, se colocadas em prática, colocariam não só a menina, mas todos em perigo. Poderia citar inúmeras incongruências, mas me atentarei aos pontos mais anormais encontrados, como, por exemplo: a) Meninas precisam ser imersas desde cedo em tarefas domésticas, pois isso ajudará no desenvolvimento psicomotor delas. Nesse caso, é totalmente louvável colocá-las em frente ao fogão; b) É extremamente natural que os pais sintam atração sexual por suas filhas no momento do banho, pois o pai seria facilmente provocado pela nudez da filha; c) A autora diz que as meninas nascem com uma capacidade persuasiva nata e que elas muitas vezes usam para "provocarem e conquistarem" o pai. É o papel do pai manter a distância e estabelecer limites aos carinhos "específicos" da filha; d) É de suma importância que os pais deixem suas filhas se tocarem, pois isso faz parte do descobrimento corporal delas. Não é necessário refletir muito para reconhecer os problemas dessa pauta, pois se a menina se masturba de forma desenfreada, ela condicionará o cérebro a pensar que aquilo é normal e isso resultará em masturbações em lugares públicos, incluindo a escola. Isso, quando direcionado aos meninos, já é muito perigoso, imagine com meninas. Ainda mais com o que foi dito pela autora a respeito da atração do pai pela filha. Sabendo que a maioria dos estupros acontece no ambiente familiar, dizer isso é colocar um alvo nas costas das meninas, pois elas acharão que aquilo é normal, já que os pais nunca a proibiram de se tocar. Livros como esse necessitam ser respaldados em feminilidade. Ela conseguiria reduzir todos os ensinamentos (positivos) à implementação da feminilidade, pois todos os bons conselhos são coisas naturais às mulheres. Podemos notar que muitas mulheres criaram suas filhas de forma invejável sem precisar de instrução de ninguém, e isso deve ser atribuído à implementação da feminilidade e da moral e bons costumes. As meninas, quando possuem uma boa referência materna, tendem a seguir à risca, pois toda menina anseia por crescer e se equiparar às mulheres que a permeiam (mãe, avós, tias). Não é necessário muito para instruir de forma satisfatória as meninas. O livro, claro, não possui somente ensinamentos duvidosos. A autora aborda assuntos pertinentes à criação de filhos, especificamente meninas. Em certo capítulo, são tratados os distúrbios psíquicos que assolam as crianças. Distúrbios como anorexia, bulimia e depressão são listados pela autora como uma das causas de problemas mais sérios e até mesmo de suicídio por parte dos jovens. Entretanto, há tanta baboseira e posicionamentos ridículos que não podemos afirmar que o livro instrua os pais em qualquer aspecto na criação de suas filhas. Um ponto extremamente curioso é que a autora menciona que sua filha saiu de casa aos 16 anos e foi morar sozinha por achá-la supérflua. Essa mesma mulher escreveu um livro que foi elogiado por muitas mulheres. Ela foi chamada de supérflua pela própria filha e quer ensinar aos pais como educarem seus filhos.
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