A casa dos náufragos -

    Guillermo Rosales

    Companhia das Letras
    2011
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788535919691
    Português Brasileiro

    Exilado em Miami, o escritor cubano William Figueras é internado pela família em um asilo destinado a inválidos e doentes mentais. Sofrendo de alucinações auditivas episódicas e comportamento paranoico não violento, o personagem está em posição privilegiada em relação aos outros pacientes. Já te observei bastante, diz o abjeto zelador da instituição, e você não está louco. O que a princípio poderia ser uma vantagem termina por aprofundar sua dor. Capacitado a compreender o estado de miséria humana que o rodeia, desnutrido, perturbado e sem perspectivas, o escritor pressente a morte. Egresso de uma Cuba mergulhada na ideologia e na censura, ele se situa no presente como um náufrago que nem pertence ao território que habita nem sente falta do que abandonou. A exemplo de sua ficção, Guillermo Rosales também deixou Havana e se mudou para Miami em 1979, onde permaneceu até a morte, em 1993. Membro do círculo intelectual cubano que se transferiu para os Estados Unidos, foi lido pela comunidade hispanófona de Miami, mas permaneceu desconhecido do grande público, já que A casa dos náufragos só foi traduzido para o inglês nos anos 2000.

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    Andressa Reis18/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma grata surpresa

    Este é um achado! Chamou minha atenção a capa, com uma casinha amarela flutuando em um oceano sombrio: A casa dos náufragos! Quem seriam estes náufragos? A edição possui folhas amarelas de boa gramatura e boa diagramação, ou seja, não é uma obra qualquer. Comecei a ler e... Não parei mais! É um texto triste e deprimente, e alguns momentos tive que interromper a leitura para espairecer. William Figueras, o protagonista, é um escritor cubano, que exilou-se em Miami. Sofre de alucinações, o que o torna muito instável, e, assim é deixado pela família em uma boarding home, um tipo de casa de repouso. Nesta casa Wiiliam conhece diversos tipos de doentes psiquiátricos e idosos abandonados pelas famílias. O gerente e o proprietário os piores tipos de corruptos, desonestos e vis, impondo aos internos péssimas condições de higiene, alimentação, segurança e maus tratos. Entre os internos da casa não é melhor, são episódios escatológicos, abusos, violências. É uma leitura difícil! Estas pessoas foram abandonadas, estão em um limbo de desumanidade, à margem da moral, da ética: são náufragos! Wiiliam deixa-se contaminar pelo ambiente, entrega-se até a chegada de uma nova interna, que trará talvez seu último suspiro para salvar-se, talvez sua última boia salva-vidas. O que torna tudo mais trágico é que a obra é quase uma autobiografia do autor Guillermo Rosales, o qual era ativo no meio intelectual de Havana, mas acabou indispondo-se com o regime Castrista, sentindo-se traído, exila-se nos EUA, onde também não encontra seu lugar, passa por diversas internações psiquiátricas até falecer em 1993, em condições delicadas É uma obra dura, que descortina as sombras do homem, fala daquele sentimento doído de não-pertencimento, traz reflexões sobre a moral. O que você faz, quando ninguém está vendo? Almas no limite, almas no limbo, almas náufragas

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