O primeiro e mais negro franquismo, o ano infame da Vitória, 1940 (um longuíssimo 1940), a Madrid dos "justiceiros" espontâneos, os grupos, as noites falangistas em que os cães comiam homem morto, os carros/fantasma e as madrugadas de vermelho, amarelo e sangue. Tudo isto é um romance que não é mais do que as memórias de um jovem fascista levado pelas suas "ideias" até ao fanatismo, à crueldade e praticamente ao suicídio. A tensão narrativa enriquece-se aqui com o desenho dos triunfadores, gentes glamorosas do Chicote e Pasapoga, famosos, nomes verídicos, mais a corrupção incipiente e atroz do sistema. As figuras de Juan Aparicio, Dionisio Ridruego, Serrano Suñer, etc., bem como os recintos sagrados do falangismo (Delegação Nacional do Movimento, Arriba, etc.), vistos por dentro, completam o quadro histórico e vivo. A tensão Franco/Falange e as composições daquela Espanha, nada "unitária", tornam este livro "um episódio nacional" onde a caneta de Francisco Umbral se move com violência, grande riqueza de informação, crueldade na apresentação dos factos, pontualidade no crime e grande plasticidade e vivacidade de conjunto.
