Como parte de uma preocupação mais geral de que a doutrina da justificação esteja sendo obscurecida em muitos dos debates contemporâneos, o livro desafiador, porém amável de John Piper discorda da principal tese do bispo Tom Wright a respeito do ensino de Paulo sobre a justificação. Os pontos de vista do bispo de Durham sobre a justiça de Deus como fidelidade relacionada à aliança, o relacionamento entre a justificação e o evangelho, a imputação da justiça de Cristo, bem como a justificação presente e futura são submetidos a uma avaliação longa e profunda, ainda que sensível. O doutor Piper reconhece que o bispo Wright é um ‘manuseador disciplinado, ponderado e rigoroso dos textos bíblicos, e ama a igreja.’ Além do mais, ele tem buscado lidar com tudo o que Wright escreveu sobre a justificação paulina, o que não é uma façanha pequena. Ele cita minuciosamente o bispo a fim de ‘tratá-lo com um cuidado meticuloso.’ Contudo, Piper crê que essa nova perspectiva desfigura o evangelho paulino. Essa é uma crítica séria a um dos mais importantes representantes da Nova Perspectiva sobre Paulo, e merece ser lida por todos aqueles que desejam entender mais plenamente e regozijar-se na justiça de Deus em Cristo, e em sua justificação do ímpio. Desde Agostinho, os comentaristas bíblicos tem lutado com a questão de como entender o relacionamento entre a justificação pela fé e o julgamento pelas obras. O advento da Nova Perspectiva sobre Paulo alimentou ainda mais essa tensão em dias recentes, com muitos autores como N. T. Wright enfatizando mais o papel de uma vida transformada como a base para a justificação no juízo final. À luz disso, John Piper oferece um envolvimento construtivo e crítico da obra de N. T. Wright, e demonstra convincentemente que a justificação, em seu tempo presente e futuro, está ancorada exclusivamente na obra de Cristo, e não em nossa obediência ou em obras inspirada pelo Espírito Santo. A defesa que Piper apresenta possui rigor exegético, perspicácia teológica e sensibilidade pastoral. Ele nos convida a maravilharmo-nos com a glória, a magnificência e a graça de Deus que justifica o ímpio pela fé em Seu Filho. Este livro não é uma repetição de velhos dogmas, nem um discurso polêmico, mas uma viçosa articulação do evangelho que Paulo pregou, e foi escrito com uma convicção e entusiasmo que inspirará pregadores velhos e novos a apresentar fielmente a seus rebanhos todo o conselho de Deus.
