O Afeganistão depois do Talibã traz onze histórias afegãs, onze perfis – um talibã, um senhor da guerra, a primeira mulher candidata à presidência, um brasileiro que prega o Evangelho em Cabul, um médico da Cruz Vermelha, uma lutadora de boxe feminino etc. – que retratam a década desde o 11 de Setembro até a morte do saudita Osama bin Laden, no Paquistão. É resultado de duas viagens que fiz à região. A primeira, em 2008, quando conheci os personagens, e a segunda, em 2011, quando voltei ao país para revê-los.
O Afeganistão depois do Talibã -
Adriana Carranca
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Em 2011, fazem 10 anos dos ataques terroristas ao World Trade Center. Um fato que modificou a geopolítica mundial e, sobretudo, o olhar do mundo para um país arrasado pelas guerras, pela pobreza, pela cultura típica. O Afeganistão: localizado na Ásia Central, no meio de países tão diferentes, serve como ponto estratégico para rotas comerciais e, claro, uma terra de conflitos desde a antiguidade. E o maior deles, começou dias após o 11 de setembro, quando teve início a grande caçada ao terrorista Osama Bin Laden. Ele morreu, mas os conflitos por lá não param. A morte do líder da Al-Qaeda não modificou muito a vida dos afegãos. Talvez tenha piorado desde o dia em que os EUA e seus aliados começaram a Guerra contra o Terror. E fizeram do Afeganistão um alvo bélico. Pelo que se lê, a guerra civil continua. O governo não consegue ordem e os talibãs dominam soberanamente acima da lei. E o povo fica no meio deste fogo. Civis sofrem com a guerra, com a seca, com a fome, com a miséria, com a corrupção. As notícias falam dos conflitos, das mortes, da reconstrução de um lugar onde a luta integra o cotidiano. Paz, ali, não reina há tempos. Para relatar a história dos afegãos, e a ótica deles em relação aos atentados terroristas, a repórter AdrianaCarranca, do jornal Estado de São Paulo, foi ao Afeganistão duas vezes. Uma em 2008 e outra mais recente, neste ano, antes da morte de Osama no mês de maio. Na bagagem, o bloquinho da jornalista tinha relatos de 11 pessoas – afegãos, estrangeiros, de gente que vive por lá ou que abandonou o país em busca de algo melhor. Narrativas marcantes que mostram além dos fatos. A visita resultou na obra “O Afeganistão depois do Talibã”, que mais do que um livro-reportagem é um documento histórico sobre o povo dominado pela tirania dos falsos líderes e por uma cultura machista aos olhos ocidentais. Cada história mostra as consequências do 11 de setembro na vida dos entrevistados: a filha do rei, a viúva da guerra, a mulher política, um talibã, um jornalista morto, um fisioterapeuta estrangeiro, um pastor brasileiro, um afegão que fugiu de suas terras, um marechal, uma jovem lutadora de boxe, e o mais famoso deles, o livreiro de Cabul. Personagens que trazem humanidade para uma guerra, que muitas vezes, não é a guerra deles. Já no prefácio, Adriana instiga a leitura com uma estratégia dos livros policiais: mais ou menos as histórias se relacionam, e o fim de cada capítulo remete ao próximo, o que estimula a curiosidade. Mas este não é o atributo maior deste livro: o modo de vida afegão é um chamado ao conhecimento da cultura. A autora foi na contramão da cobertura jornalística que buscava o fato político-militar. Ela traz histórias reais de quem está nesta guerra cruel. "É uma gente que não tem nada, mas divide tudo, que faz crescer no solo seco e minado as flores mais bonitas que eu já vi; nos mais velhos que transmitem aos jovens a sabedoria que o Ocidente já não encontra em livros; e no respeito à família e à tribo, mais importante do que quaisquer interesses individuais", conta. Para quem gosta de livros de guerra, costumes, cultura geral, viagens e de relatos jornalísticos, fica a dica desta obra publicada pela Editora Civilização Brasileira.
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