Bom, não vou me ater muito ao que se trata a história - aliás, um livro nacional -, pois a sinopse resume muito bem. Vou me fixar em outros aspectos.
Vi uma resenha há um bom tempo falando maravilhas de Terra Ardente, no próprio Skoob a nota dada ao livro estava altíssima. A grande, grande maioria mesmo colocava 4 e 5 – e é porque não foi pouca gente que leu, não. Então comecei a leitura na maior expectativa, mesmo sem saber muito bem do que se tratava a história já que tinha me esquecido do que li na resenha, só lembro que a pessoa falou muito bem; e comecei esperando me apaixonar e colocar no mínimo 5 estrelas no Skoob. Mas não foi bem isso o que aconteceu.
Comecei a obra sem procurar ler muito sobre ela, queria me surpreender com tudo o que visse. No final das contas me surpreendi. Mas talvez algumas surpresas não foram tão boas assim. Primeiro tentei entender em que período se passava a história... No meu mundo cor de rosa o livro se tratava de uma romance histórico, numa “pacata” cidade estilo velho oeste, onde as mulheres estavam imersa numa sociedade ainda bem machista com seus vestidos longos; na verdade a história se passa no tempo presente numa cidade “pacata” de nome Matarana no interior do Brasil.
No principio, me peguei sofrendo com a escrita da autora. Ela utiliza expressões bem diferentes – e um tanto difíceis de assimilar – e sua escrita mescla algo mais objetivo; não sei se saberei explicar. Assim, ela fala algo então “ponto”. Parece que a narrativa se quebra e logo vai falando outra coisa, algo meio mecânico de difícil fluidez. Mas com o passar da leitura, a escrita dela fica bem mais digerível e agradável.
Pois bem, até uma boa parte do livro eu não conseguia me conectar com a história, simplesmente não conseguia. Acho que entendi o que a autora queria passar; Diniz queria quebrar conceitos, Karen a mulher mal falada, que furnicou com praticamente “todos os caras da cidade”, se punha no papel de homem e não como uma donzela indefesa, trabalhadora e que punha a cara à tapa. Nova como uma riquinha, mas que mesmo utópica em relação ao amor também se colocava a frente do que acreditava, e Franco como o cara mau, que carrega toda uma má fama nas costas, mas que no final das contas se mostra diferente do que aparenta. Características, que apesar de me chamarem a atenção, não me abalaram muito; não sei se foi a autora que não soube explorar bem isso ou se eu, por já ter visto características assim em outras livros que me agradaram, não me sentir muito convencida. Quanto às descrições dos lugares... Na minha opinião não foi nada de muito especial, a imagem não se fixou bem em minha cabeça. Não consegui sentir o suor escorrendo pelo meu rosto ou a areia soprada pelo vento.
Lia Terra Ardente mais para acabar logo com o livro e começar outro do que pelo bel prazer de me deleitar com a leitura. Foi só depois do meio do livro que teve uma coisinha que deixou as coisas mais interessantes para mim. A impressão que dá é que a autora começou a história pensando em algo tendo como casal principal Karen e o xerife bonitão Rodrigo e depois do meio para o final o foco da história mudou para Nova... e um sujeito aculá; falo assim porque para mim seria um spoiler, mas se você já tem ideia do que vai acontecer já deve saber de quem estou falando.
Só sentir simpatia pela personagem Nova e o sujeito aculá. Havia outros personagens que para mim poderia ter uma maior visibilidade; e os que aparentemente eram os personagens visíveis, os de destaque na história, me deixaram com um certo vazio, como se falta-se algo. Não consegui me conectar bem ao livro, tanto que não estou com muita curiosidade pela continuação. Talvez o problema seja eu; pela história ser diferente, ter todo esse clima de conflitos fundiários, eu pensei que gostaria, mas acabou não me satisfazendo.
Quanto do fator caliente no livro, ele é um erótico leve, sem grandes detalhamento. Lembro que quando vi o titulo “Terra Ardente”, logo associei à aqueles romances de bancas com um nome apelativo. Terra Ardente se refere mais a terra quente do interior, se certa maneira seca, ardente; mas também deve ser referir aos casais principais em meios a seus conflitos. Mas foi realmente Nova e o sujeito aculá que salvaram a história para mim, eles despertaram a curiosidade em mim; por eles dou as 3 estrelas, porque os outros personagens não conseguiram me deixar curiosa. Nova é ótima, me fez até dá boas risadas.
Para muitos a história foi maravilhosa. Prendeu. Emocionou. Surpreendeu. Deixou um gosto de quero mais. Para mim esses sentimentos foram em pequenas medidas. Não consegui me conectar bem a história. Esperava mais. Achei que faltou explorar certas coisas, certos sentimentos, certos personagens. Paro para pensar, e talvez eu esteja olhando o livro esquecendo que ele pertence a uma série, e o que sentir falta nesse volume talvez se aprofunde no outro. Ou talvez eu apenas não estivesse no clima para a leitura. Mas se aventurem em Terra Ardente, vai que você sinta o vento quente no rosto, fique entusiasmada(o) com os desfechos, sinta ódio de certos personagens e se surpreenda com outros?