Onde Perdemos Tudo - Contos sobre Perda

    Alex Castro

    Oficina Raquel
    2011
    174 páginas
    5h 48m
    ISBN-13: 9788561129279
    Português Brasileiro

    O conto mais bem realizado … é o primeiro “A morte de meu cachorro“. História de um momento em que um casal se separa, e cada um vai cuidar de sua vida. A velhice e a solidão são atingidas quando o narrador não é reconhecido por uma alma gêmea, obrigando-se a conviver com experiências que não são mais plenamente compartilháveis. Esse esvaziamento se dá num cenário que deveria ser palco de um reencontro. A amiga muda-se para Buenos Aires, o narrador segue para visitá-la, tentando vencer a distância espacial, que cumpre seu papel: “Lendo cada um sua seção do Clarín, Fiona e eu padecíamos de um silêncio ainda mais cancerígeno [sic]: o silêncio de quem tem muito a dizer, mas prefere calar; o silêncio da conveniência. Pra que discutir? Emudecer poupa dores-de-cabeça, explicações, embaraços. Sobra o nada”. Esta elevação do silêncio a uma categoria cancerígena revela a forma dramática de representar alguns episódios. O conto não segue um fluxo narrativo contínuo, trabalha com flash-back e janelas, que são abertas para esclarecer coisas ou resumir passagens. … O componente que dá literariedade aos contos é a ironia, a busca de soluções bem-humoradas. O autor, que brinca o tempo todo com conceitos literários, transita por um universo em que cabem produtos literários sofisticados e outros da cultura de massa. Os diálogos, os subtítulos e os títulos dos contos e dos livros inventados ganham um tom paródico. Tudo apontando para uma saborosa desconstrução da seriedade. Onde perdemos tudo apresenta narradores meio tagarelas – outro pedágio à internet? -, mas é justamente nisso que reside sua força. E se falta uma maior voltagem literária nestes contos, é indiscutível que a prosa de Alex Castro já possui apelo estilístico. Miguel Sanches Neto, “O Globo“

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    Elisângela Volpe25/10/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Será que não percebem o quão ameaçador é o silêncio de quem já disse tudo, de quem já partilhou tudo? Página 37 Confesso que não sou fã de livro só de contos, na realidade nunca fui de ler muito livros assim, não sei bem o motivo para não gostar, parando para pensar, creio que apenas não tenho o costume de ler o gênero. O que estou pronta para mudar isso já. Este livro reúne cinco contos do autor, todos muito bem escritos com uma narrativa que já ganha o leitor na primeira página. Os contos, como dito na sinopse, fala sobre perda, mas o modo que o autor trata o assunto não torna o livro triste, mas sim interessante de acompanhar, é uma perda que faz amadurecer, faz crescer. Meu conto preferido foi o primeiro, A Morte do meu Cachorro, pois é, me encantei com o livro já de cara, mas quem ler vai entender o motivo, é o conto que mais trata do amadurecimento pessoal. "A infância acaba, disse alguém, quando morre nosso cachorro. Somente então estaríamos prontos para os desafios da vida adulta. Pouco importa se somos doutorados ou casados: enquanto existe o cachorro - símbolo vivo da nossa adolescência - ainda moramos com os pais." Página 11 E foi aqui, já no primeiro parágrafo do livro, que o autor me ganhou... As personagens de todos os contos tem uma característica marcante, eu terminei o livro lembrando claramente de cada personagem que fui apresentada. Embora seja um livro com cinco histórias diferentes, ao chegar na última ainda lembramos do sorriso da Fiona (personagem do primeiro conto). Os outros quatro contos também não deixam a desejar, são todos bem estruturados e cada um com a sua singularidade, tive a impressão que a leitura fica mais leve a cada novo conto, o último conto "A Falta que nos fazem os figos" foi a maior surpresa de todas. Bem, como vocês perceberam eu adorei o livro, o autor realmente me agradou tanto na narrativa como com a construção das personagens. Uma única crítica negativa, as páginas são brancas, não sei diferenciar pelo nome do papel, mas é aquele papel muito branco utilizado, e não aquele amarelado que a maioria prefere. Infelizmente este tipo de papel cansa a leitura, ainda mais quando a pessoa não enxerga muito bem (o que é meu caso). Porém, isto é um detalhe que não tira o brilho da obra. Super recomendo! Mais resenhas: http://www.batalhaliteraria.com.br/

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