Você acha que o escritor de Guerra dos Tronos é o rei internacional da ficção fantástica? Então hoje venho apresentar a vocês as rainhas nacionais deste gênero: Roberta Spindler e Oriana Comesanha. Em 617 páginas de puro talento, ação, magia, batalhas, traições e mistérios elas conseguem criar com maestria um mundo novo e em nenhum momento perdem o foco. Prepare-se para noites em claro onde o Mundo de Meigan vai roubar cada porção do seu fôlego. E com certeza vai roubar também o seu coração.
Eu poderia começar essa resenha de muitas formas diferentes, mas é impossível conter minhas emoções. Por quê? Eu li um livro que me fez sentir frio na barriga, vontade de chorar, estapear a protagonista, depois abraçá-la, eu me diverti com o senso de humor de um dos personagens mais completos que já tive o prazer de conhecer, eu fiquei apreensiva com um talvez futuro triângulo amoroso e confesso, torci para que acontecesse. Eu li um livro incrível que em momento nenhum me cansou, apesar de suas 617 páginas, eu me surpreendi tanto com o desfecho final que estou anestesiada até agora. Você consegue entender o quanto eu gostei de um livro que mesmo sendo enorme, se dependesse de mim não teria fim?
Caros leitores, é assim que tento descrever um pouco das emoções que tive ao ler Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos.
Um enredo que surpreende já no prólogo que tem uma construção que eu achei perfeita. Ele funciona como uma introdução ao Mundo de Meigan, descrevendo sua criação em termos práticos, sem enrolação ou divagações desnecessárias.
A princípio você poderá estranhar os nomes que não são nada casuais, contudo isso é mero detalhe. Em algumas páginas você já se considera um habitante desse mundo fantástico e em muitos momentos se pega chamando os personagens pelos nomes e dando conselhos. Ou passando sermão. É gente, Meigan faz isso com você.
A garota Maya é a filha da atual soberana de Meigan, Liza Muskaf. Devido a relação conturbada com a mãe, ainda jovem Maya saiu de Meigan e veio viver entre os humanos. Abalada por uma estranha doença que a acometeu na infância após anos afastada de seu mundo ela engole seu orgulho e decide partir de volta para o seu mundo na próxima caravana. Mas ela não poderia ter escolhido um momento pior para retornar.
Em meio ao caos de um ataque surpresa dos violentos Cártagos, traidores dos Magis que há muito tempo foram banidos para outra dimensão, Maya se desespera ao imaginar a possibilidade de não ter a chance de encontrar sua mãe viva.
Durante sua luta para chegar ao seu destino ela ganha a proteção do Sétimo Guardião, um dos responsáveis por garantir a segurança dos portões do Solo Sagrado.
Em um enredo bastante intrincado, com inúmeros personagens bem construídos não posso deixar de destacar um: o Sábio.
Em sua fuga pela Floresta dos Condenados Maya encontra esta figura engraçada, misteriosa e muito gentil. O senso de humor dele agita boa parte do livro.
“-Nossa, eu não sei por que se preocupar tanto com isso, eu não vi nada. Ou melhor, quase nada. (...) Bom, eu vi tudo sim, mas não precisa me olhar desse jeito. Eu juro que não contarei que você está com umas gordurinhas... Ei, calma! Estou brincando!” – Capítulo 11, página 161.
A relação de amizade que surge entre Maya e o Sábio emociona. Ele apesar de idoso tem uma alma jovem, ainda que seus segredos o impeçam de se abrir totalmente com Maya.
Seth, o guardião, acompanha os dois em grande parte da jornada, e sua relação conturbada com Maya me deixa em êxtase.
“Ele deu um passo para trás, atordoado com aquela mudança de comportamento. Era tão difícil assim perceber que a única coisa que ele queria era protegê-la? Agora tinha certeza de que fora um idiota por se preocupar com aquela garota. Sem dar explicações, deu as costas para ela e voltou para a extremidade do pátio. Só queria sair dali.” – Capítulo 25, página 303.
É necessário destacar dois aspectos que saltam aos olhos durante a leitura.
Um deles é que sendo um livro escrito a quatro mãos poderiam ocorrer mudanças sutis na forma de escrita ou alterações bruscas de estilo. Isso não acontece em momento algum. Oriana e Roberta funcionam perfeitamente escrevendo juntas, formam uma dupla entrosada que não falha.
O segundo aspecto a ser apontado é que neste livro não existem páginas descartáveis. Sem enrolação nem parágrafos e mais parágrafos recheados de inutilidades. Sabe aquela velha mania que alguns autores têm de, com todo respeito, encher lingüiça? Pois é, Contos de Meigan está livre desses males.
Feitas todas essas observações só tenho uma coisa a dizer: depois de quase surtar com o final totalmente enigmático e surpreendente e de quase enlouquecer a Roberta Spindler com meus e-mails super sutis do tipo: “Fala que a continuação sai esse ano? Por favor? Pooor favoor!” ela prometeu que ela e a Oriana estão se dedicando bastante para seguir com o nível de qualidade da história e que assim que for possível a continuação estará disponível.
Leitura total e incondicionalmente recomendada. Estou roendo os dedos de ansiedade para ler o próximo volume.
Resenha originalmente postada em http://adventurerpenelope.blogspot.com/2012/02/contos-de-meigan-furia-dos-cartagos.html