Casa de Pensão -

    Aluísio Azevedo

    Paulus
    2009
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788534930352
    Português Brasileiro

    A figura central de "Casa de Pensão", em torno da qual se desenvolve o enredo, é um jovem maranhense chamado Amâncio. De família muito rica, mimado e protegido pela mãe, significativamente chamada Ângela (anjo) e tratado com aspereza e até violência pelo pai, Amâncio vai ao Rio de Janeiro por volta de seus 20 anos para cursar a faculdade de Medicina. Pouco interessado pelos estudos, porém, vai sendo aos poucos envolvido pela fascinação do ambiente mundano do Rio de Janeiro, a cidade da Corte. Pensa poder conduzir sua vida com a experiência que trouxe do Maranhão, mas logo se vê rodeado de gente inescrupulosa que pretende apenas se aproveitar de sua riqueza e ingenuidade. Vai morar na casa de um comerciante chamado Campos, conhecido de sua família, que o trata como a um filho, inclusive no controle que exerce sobre a vida de Amâncio. Este, por sua vez, começa a sentir-se atraído por Hortênsia, a própria esposa de Campos, que logo percebe a atração que exerce sobre o rapaz. Amâncio conhece um estudante de engenharia, João Coqueiro que, percebendo sua ingenuidade, convence-o a ir morar na pensão que mantém com a mulher, madame Brizard, uma francesa viúva. O plano de Coqueiro é fazer com que sua irmã Amélia, uma moça solteira de 22 anos, seduza o rapaz para casar-se com ele. Aos poucos, Amâncio vai descobrindo a hipocrisia e o jogo de interesses que marcam as relações pessoais na cidade. Na casa de pensão onde mora, vemos desfilar uma galeria de tipos humanos frustrados, vaidosos, imorais, infelizes, com quem Amâncio vai se relacionando. Amélia, por sua vez, instruída pelo irmão, vai se insinuando e envolvendo Amâncio com sua sensualidade; por fim, tornam-se amantes. O rapaz se acomoda com a situação de poder desfrutar das carícias de Amélia quase como se fossem casados, pois a liberdade dada a eles é parte do plano de Coqueiro e da mulher para que esse casamento seja inevitável. Mas nem tudo sai como eles planejam. A ênfase dada aos anos de formação de Amâncio no ambiente familiar e escolar, e a força do meio social no comportamento do rapaz evidenciam as teses naturalistas do autor, sem que ele abandone, por sua vez, lances melodramáticos que revelam ainda as marcas da prosa romântica. Por outro lado, o enredo de "Casa de Pensão" tem pontos em comum com um caso real de assassinato motivado pela sedução de uma jovem, ocorrido por volta de 1876-1877 , no Rio de Janeiro, período da primeira temporada que Aluísio Azevedo passou na cidade da Corte. É o escritor realista buscando na realidade imediata os elementos que vão fazer de sua obra uma espécie de documento social de uma época.

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    Clio06/08/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Ninguém presta neste livro. Não por serem vilões maléficos ao estilo Disney, mas por não terem a mais simples decência humana. Azevedo sempre se esmerou em expor as hipocrisias sociais e o que se considera como o verdadeiro caráter brasileiro. Assim, seus personagens lutam para evitar a miséria, isso é o que define suas motivações: enriquecer é não passar necessidades. E para isso vale tudo, perda da honra, enganar o próximo, conchavos e conluios, aquelas pequenas corrupções do dia-a-dia de quem tem que contar moedas para comprar o pão. Isso tudo seria perdoável... porém o personagem principal, Amâncio, é aquele típico "filho d'algo" que devido a abusos na infância, sejam eles pela violência ou pela carência, enxerga as pessoas - principalmente as mulheres e os pobres - como algo próximo a gado, a animais. Ali para satisfazer suas necessidades físicas e nem um pouco merecedor de estima ou respeito. Essas duas naturezas entram em conflito na casa de pensão que é o título. Uma história que é feita de puro desprezo e fofoca.

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