É um grande livro de um apaixonado pelo jornalismo que, mesmo não sendo um fora de série do texto escrito, superou as dificuldades materiais e montou um dos principais jornais do país à sua época. Samuel é um vencedor acima de tudo porque aproveitou as oportunidades que a vida lhe ofereceu especialmente diante dos políticos com um viés, digamos, nacionalista. Sendo o principal exemplo sua relação próxima com Getúlio Vargas, entre 1950 e 1954.
O livro não é uma aula de ética, afinal a iniciativa privada pura, àquela sem relação de troca de favores com os políticos, era ainda mais difícil que hoje. Samuel foi sim, muitas vezes, conivente e manipulado por presidentes, políticos e empresários mas tem o mérito e a grandeza de não escrever com rancor, essa arma dos fracassados, sobre a maior parte de seus adversários. E também não demonstrou amargura perante sua vida, que terminou sem ao menos uma fração de todo o poder, influência e dinheiro que já possuiu ou viu passar diante de si.