Faz tempo que queria esse livro. Desde que a editora anunciou seu lançamento (ano passado) que estou pipocando pelas lojas virtuais monitorando tudo. É, sou meio stalker quando fico sabendo de algum lançamento bacana. Ok, meio stalker é bondade minha. Fico obcecada (prontofalei). Precisavam ver como foi quando anunciaram Cidade dos Ossos (Instrumentos Mortais – Cassandra Clare, 2010), na época eu não tinha twitter, então checava todos os dias, pelo menos duas vezes, todos os sites que provavelmente o venderiam primeiro, sem falar no sistema da livraria onde trabalhava... Enfim, no caso do livro da Cassandra, minhas expectativas (piradonas) foram muito bem recompensadas. No livro da Gillian, não.
Tudo porque ele é de uma imobilidade angustiante. Sabe o começo das estórias, quando os personagens principais são apresentados, o cenário é definido e você tem um tempo para se acostumar com tudo aquilo? Well, eu estava lá, serelepe e despreocupada, aproveitando essa introdução quando me dei conta de uma coisa: eu já estava na metade do livro.
Em A Filha do Pastor das Árvores demorei muito para sacar qual era a da Keelie, isso devido aos pensamentos (o livro é narrado em 3ª pessoa, mas focado unicamente no ponto de vista dela) da garota não condizerem com as suas atitudes. E de um jeito meio repetitivo. Do tipo “Por que você fez isso, Keelie, se até meia página atrás você estava pensando justamente o contrário?” Isso meio que arruína uma boa relação leitor-personagem, porque não dá pra se identificar com um personagem que você não conhece. A não ser que seja um imprevisível, dos tipos que circulam os livros de George R. R. Martin ou Licia Troisi. Mas ai já é outro caso...
Well, as coisas começaram a esquentar lá pela página 199, quando o Barrete Vermelho, um duende poderoso e maligno, mostra a que veio e a quantidade de caos que consegue causar. Keelie também acaba tento uma noção de que talvez seu dom de sentir as árvores e seus espíritos não seja uma total perda de tempo.
Como não pode faltar, o livro tem a antagonista secundaria, Elia. A moça é tão infantil e irritante que me dava vontade de tirar a Keelie do caminho e eu mesma ensinar uma ou duas coisas a sobre educação pra ela, sem ser educada!
Por outro lado o pai dela, um elfo sinistro, é alguém para se prestar atenção. Nesse livro, Elianard não deu muito as caras, mas algo me diz que ele terá um papel bem maior no futuro. Falando em adultos, a despeito dos adolescentes infantis e artificiais, os personagens adultos que guiam Keelie através de sua nova vida são ótimos. Coloco nessa categoria Knot, o gato. Dificilmente um gato vai ser menos que carismático nas estórias, só que Knot extrapola! Rilitros com as coisas absurdas (degato) que ele aprontava pela feira, uma mistura de Lúcifer com o Cheshire Cat!
Por fim, vale dizer, ainda estou empolgada com a continuação. Sério. E acredito que o livro receberia uma nota bem maior se fosse maior e com mais páginas para Scott. Um cara que, na minha humilde opinião, tem bem mais a ver com Keelie do que o Lorde Sean ‘Engomadinho’ do Bosque. Elia que fique com o infeliz se quiser, merecemos um mocinho com personalidade!
Parabéns à Bertrand pelo trabalho gráfico, tradução e principalmente pela capa. É tão linda, toda emborrachada, que dá de 10 na original!
Status final:aguardando a continuação, Wildewood.