Chuva Miúda -

    FLORA MACHMAN

    Garamond
    2011
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788576172161
    Português Brasileiro

    “Jornalista, bacharel nordestina e pernóstica romântica”. Assim Flora Machman, uma das primeiras mulheres a obter registro de jornalista em Recife, se definiu em um texto autobiográfico. Ela foi também uma das primeiras advogadas do Brasil, embora nunca tenha exercido a profissão, além de tradutora, diretora de museu, economista e, sobretudo, uma cronista de mão cheia que brilhou intensamente neste país de grandes cronistas. Pudera: em seus textos límpidos e sagazes – que encantaram os leitores dos jornais e revistas que os reproduziam –, Flora praticava o estilo “falso fácil” (como ensinam os grandes escritores, o mais difícil é escrever “fácil”). Neles, o coloquial, o comentário de atualidade, a anedota pitoresca ou bem humorada têm a força e a dignidade da alta literatura. Leitora voraz e crítica, amiga de Clarice Lispector na juventude (curiosamente, ambas estão sepultadas lado a lado no Cemitério Israelita do Caju) e de Cecília Meireles na maturidade, Flora poliu suas crônicas com a graça de uma conversa ao pé do ouvido e a sensibilidade de mulher culta e antenada com o mundo. Começou a publicá-las em 1947, na coluna “Chuva Miúda” do jornal Folha da Manhã de Recife. Em 1948 obteve do governo francês uma bolsa de estudos na Sorbonne, onde cursou a Escola de Ciências Econômicas. De Paris envia, como “correspondente da Europa ocupada”, matérias de capa para o segundo caderno do Jornal do Commercio de sua cidade natal. Conviveu na França com figuras como Jorge Amado, Pablo Neruda, Nelson Pereira dos Santos e, quando retorna ao Brasil, começa a publicar a coluna “Registro” no Jornal do Commercio. Também trabalha como free lancer nas revistas Manchete, O Cruzeiro, Leitura, Aonde Vamos, tendo realizado entrevistas com Guiomar Novaes, Bibi Ferreira, Chico Anísio, Porfírio Rubirosa, Jorge Amado, Erico Veríssimo, Cecília Meirelles, Elizete Cardoso, Amália Rodrigues, Fernanda Montenegro e outros. Em 1971 assume a diretoria do Museu do Índio, no Rio de Janeiro, enquanto traduzia contos de Scholem Aleichem, Chaim Nachman Bialik, poesias de Rabindranath Tagore, além de livros como A coluna Prestes de Neil Macaulay e o Segredo Ultra de F. W. Winterbotham. Com mais de 70 anos escreve um livro infantil de contos – inédito – intitulado O cavalinho de cristal. Neste Chuva miúda o leitor poderá encontrar, ou reencontrar, uma seleção representativa dessas deliciosas crônicas que nos revelam, meio século depois, uma poderosa escritora de sensibilidade sutil e fina inteligência.

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    Lethycia Dias20/09/2019Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Textos pretensiosos, nada parecidos com crônicas e de linguagem antiquada

    Flora Machman foi uma advogada e jornalista brasileira nascida nos anos 1920, e manteve a coluna "Chuva Miúda" no jornal Folha da Manhã, de Recife, e também a coluna Registro, no Jornal do Comércio, no Rio de Janeiro. Comprei esse livro em uma feira sem saber nada sobre a autora, confiando apenas na sinopse e na minha paixão por crônicas, esse texto tão brasileiro e gostoso de ler. Mas me decepcionei desde o início. Embora a autora tenha uma história de vida interessante e tenha vivido situações curiosas e conhecido várias personalidades da arte e da cultura, nem isso e nem o fatos aleatórios do dia-a-dia tornam seu texto prazeroso de ler. As primeiras crônicas, que marcam o início de sua carreira, não contém nada do texto leve e ora bem-humorado, ora trágico da crônica brasileira. Esses primeiros textos se assemelham mais a artigos de opinião, e dos bem ruins. Em um deles, Flora dá uma espécie de resposta a alguém que teria criticado sua coluna no jornal, mas em tom bastante petulante e totalmente desnecessário. O tom dos textos, aliás, é algo para se destacar. Em muitos, Flora dá opiniões pretensiosas sobre literatura, cinema e sobre personalidades de sua época. Os textos se tornam raivosos (e com razão) quando ela, que era judia, critica o antissemitismo e o nazismo. E então parecem se abrandar novamente para elogiar algumas personalidades brasileiras. Às vezes, a autora demonstra um nacionalismo que envelheceu bem mal hoje em dia. Algumas das crônicas são até divertidas, mas não fazem valer o resto do livro, que além da pretensão, conta com um vocabulário antiquado até mesmo para a época. Grande parte das crônicas é datada dos anos 60, mas Flora Machman insistia em usar expressões em latim e francês, adjetivos complicados, frases longas demais e citações de Bocage. Essa foi minha leitura de setembro para o Desafio Leia Representatividade 2019, do Blog Parênteses, em que eu deveria ler um livro de autora nordestina ou nortista, e que péssima escolha. Eu não leria de novo de forma alguma.

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