O olhar é tão indubitável quanto meu próprio pensamento e no ato de ver não apenas vemos algo, mas estranhamo-nos no que vemos. Mas vemos apenas fragmentos : um sorriso, um olhar, uma lágrima, a maciez de um estofado, a rudeza da parede, o copo esvaziado, o corpo estendido. Cada fragmento transporta-nos no tempo, instiga nossa imaginação, faz-nos interagir com a realidade e dizê-la de mil formas e tonalidades. Da folha que cai ante nossos olhos compomos o mundo com coisas que vemos para além da aparência primeira da folha caindo. Na palavra está contido o ilimitado nascimento do mundo. Perscrutando as coisas, habitando-as em seu coração encontramos a palavra, também fragmento que tem sempre um mais além. O que importa está para além do que vemos, o que importa está para além das palavras, o que importa é invisível, o que importa é indizível.
