Uma mãe solteira com mais de 30 anos está prestes a dar um golpe do baú, mas tem caráter e dignidade. Ina, mãe da pequena Caroline, faz amizade com o vizinho Anno, um industrial de 85 anos, viúvo, pai de quatro filhas que só pensam em tomar seu dinheiro. É de Anno que parte a idéia de se casarem, garantindo à menina uma boa educação e conforto para Ina, de quem não exigirá relacionamento sexual ou fidelidade. O patriarca se diverte com a angústia das quatro herdeiras, que passam a tramar toda a sorte de golpes para evitar a união de Anno e Ina. A partir daí, a família, até então empenhada em representar o papel de unida, fiel e dedicada, arma uma verdadeira campanha, com intrigas, difamações e até sequestros, para tentar impedir o casamento do velho patriarca e eliminar a ameaça que paira sobre a terrível matilha das herdeiras. Tão envolventes quanto a protagonista Ina são as vilãs de "A Matilha das Herdeiras". Dominadoras, elas se casam com homens que não servem para dirigir a fábrica do pai, que também não as admite no comando dos negócios.
A Matilha das Herdeiras -
Gaby Hauptmann
Melhor que a Marian Keyes
Curioso e um tanto injusto não encontrar resenhas neste livro, eu esperava pelo menos umas cem resenhas, levando em conta a popularidade do gênero chick-lit aqui na Skoob. Anno Adelmann é um simpático senhor de idade, que só há pouco tempo aprendeu a viver, por obra e graça de Charlotte, sua governanta tresloucada (mas nada burra). Aos 85 anos, ele é obrigado a enfrentar uma festa de aniversário dada pelos urubus de salto que são suas filhas. Uma delas é grosseira com a filha da vizinha de Anno, que só queria ajudar a governanta. Furiosa ao ver a filhinha voltar aos prantos, a mãe, Ina, aparece na festa com o maior decote que possui no armário, deixando as bruxas furiosas e seus maridos babando. A vingança tem um efeito maior do que ela esperava, pois isso dá a Anno a ideia de se casar com Ina e passar perna em suas filhas gananciosas. É uma história bem divertida, que não fica devendo nada aos best-sellers da Marian Keyes, Vera Whately (Um Amor de Detetive) e Meg Cabot - na verdade é bem melhor que alguns livros que li delas e que tem mais de mil resenhas. Não que seja perfeito: algumas coisas eu achei que poderiam ter se desenvolvido mais, como o romance entre Ina e o acompanhante bonitão de Romie (esqueci o nome dele) e o erro dela não ter sido honesta com Anno, em vez de deixá-lo descobrir por terceiros. A Romie, aliás, é uma personagem fascinante e lamentei que ela não aparecesse mais. Também foi tratada muito superficialmente a questão da filha de Tecla que na infância sofreu abusos do pai pedófilo - provavelmente a autora não foi a fundo demais com receio de deixar o livro muito pesado e fugir do tom de comédia; mas nesse caso, teria sido melhor deixar essa questão do abuso de fora do que tratá-la tão apressadamente. Pelo lado bom, o livro dá umas flechadas certeiras no machismo e no apego às convenções, mostrando como eles atrapalham a vida das pessoas: Anno, por exemplo, nem sempre foi legal. Levado pelo machismo de sua época, impediu as filhas de fazerem faculdade e assumirem o comando da fábrica, contando que elas casassem com maridos que pudessem herdar o negócio dele. O resultado é que nenhum genro prestava e a fábrica foi "pro saco". Além dele ter criticado uma filha que se separou do marido violento; sinceramente, desconfio que Anno deve ter sido um verdadeiro Scrooge, antes de Charlotte entrar em sua vida. Por outro lado, o que ele fez não justifica as maldades que suas filhas fazem com os outros e eu desconfio que, se Anno tivesse passado o controle da fábrica para uma delas, era bem capaz dele ter sido mandado para um asilo. Resumindo, apesar de suas falhas, o livro foi melhor do que eu esperava e recomendo, para uma leitura sem compromisso. Espero poder encontrar outros romances dessa autora por aí.
Estatísticas
Avaliações
3.1 / 31- 5 estrelas13%
- 4 estrelas29%
- 3 estrelas35%
- 2 estrelas13%
- 1 estrelas10%
