O livro é bom, digo isso logo. A narrativa acontece através de páginas datadas do dossiê do protagonista, o que é cativante para aquele leitor cansado das narrativas tradicionais organizadas por capítulos que por vezes são muito longos e monótonos. Em relação aos personagens, o protagonista Lucien é exatamente o que você imaginaria de um homem escrito por homem e que tem uma visão um tanto quanto esperada em relação à mulheres: ele ama a amante, o seio sexual de sua vida, enquanto sente-se exausto de conviver com a esposa, o seu seio social e convencional. Yvette (ou Ivette, não lembro exatamente agora), é uma personagem de forte personalidade e possui aquele magnetismo sexual ao mesmo tempo que oferece carinho aos homens cansados. Ela se apega fácil e oferece bom sexo. Ela é uma libertina. É claro que como foi escrita por um homem, há vários momentos em que uma leitora mulher sente um estranhamento perante suas ações e o modo como ela é descrita por Lucien. Você irá sentir falta de conhecer de fato Yvette e não somente a versão a que somos apresentados e que Lucien enxerga. Acerca dos outros personagens da narrativa, como Viviene (a esposa) e o ex amante de Yvette, estes são personagens interessantes embora pouco aprofundados. A leitura é boa, como disse no começo, porém é importante o leitor lembrar que só conhecemos aquilo que Lucien quer que conhecemos sobre os outros personagens. O enredo irá te prender até o fim e o desfecho talvez irá fazer você parar e processar o que acabou de ler.