"The Werewolf Principle", 1967. Obra dividida em dois volumes, V-141/V-142, 147/153 páginas. Um humano transformado por processo de bioengenharia com vistas à exploração de outros planetas, retorna à Terra após ficar muito tempo perdido no espaço, e começa a demonstrar um comportamento estranho. Fica sabendo que trouxe com ele os “espíritos” de outros dois seres alienígenas, que de tempos em tempos se manifestam, um deles muito semelhante ao que chamaríamos de lobisomem. Um livro interessante, no qual CDS também apresenta os gnomos como seres alienígenas e coloca o personagem principal partindo pelo espaço à procura de uma inteligência superior, que pode ser descrita como Deus.
Terra Insólita - Coleção Argonauta nr 141 e 142
Clifford D. Simak
O Pensador, o Farejador e o Transformador
Escrito em 1967, Terra Insólita (The Werewolf Principle) apresenta um mundo futuro, evoluído tecnologicamente, onde veículos levitam por vias marítima e terrestre e onde as residências possuem inteligência artificial. ?Talvez ainda viesse o dia, em qualquer tempo futuro, em que um homem nunca deixaria a sua casa e viveria sempre dentro dela, sem se aventurar fora de portas, sem necessidade ou desejo de aventura.? - pag 55, livro 1 No século XXIII Andrew Blake, encontrado numa cápsula espacial, retorna à Terra. Desorientado, descobre que compartilha corpo e mente com outras entidades alienígenas. Seu corpo possui três reservatórios de pensamento: o Pensador, que se mostra como uma forma piramidal, proveniente de um planeta pantanoso onde um sol jovem despeja torrentes de luz e energia; o Farejador, um ser semelhante a um lobo; e o Transformador, o homem, o próprio Blake, invólucro que contém as entidades, capaz de se transformar nessa forma feral e atender àquela consciência cibernética. Descobre-se que Blake, tempos atrás, foi o resultado de um projeto de bioengenharia, que culminou na criação de um ser sintético, com o propósito de iniciar o contato com vida em outros planetas. Imune a doenças, possui a capacidade de se transformar em outra forma de vida e assumir o intelecto e emoções alheias. Esse processo de construção foi designado como Princípio do Lobisomem, que dá nome à obra, no original. Simak tem um texto ágil, forte e direto. E uma agradável pegada filosófica. Dele já tive o prazer de ler Cidade e Estação de Trânsito. É um gigante da FC. O livro, em si, trata com propriedade do arquétipo do alienígena frente à estranheza do nosso mundo e aspectos culturais. ?Se aquele planeta não fosse tão quente e a sua atmosfera tão pesada e opressiva, podia mostrar-se muito interessante. Ainda que fosse muito confuso.? - pag 130, livro 1 Escrito na década de 60, as idéia apresentadas até hoje causam maravilhamento. Conceitos interessantes são trabalhados, tais como: banco de consciência, casas que dialogam, contextualização de mitos, como o gnomo (no caso, exploradores pertencentes às estrelas de Coonskin), exploração espacial, bioengenharia, criação de seres em laboratório, além da busca por uma inteligência universal. ?Que, fossem para onde fossem, a humanidade estaria com eles. Porque eles eram as extensões da Humanidade, a mão e o espírito de todos os homens, penetrando nos mistérios da eternidade.? - pag 153, livro 2 Uma obra que recomendo e, se tiver a oportunidade e encontrar por aí, não titubeie, inicie a leitura.
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