Romance clássico de autoria nacional que traz ao leitor a sensação de estar assistindo a um folhetim das 18h. Uma leitura leve, com boa construção de personagens e uma história que se entrelaça em todos os sentidos.
O mote central se passa com a família de Argemiro, um rico advogado que ficou viúvo com uma filha pequena para cuidar. Perseguido na sociedade, diversas famílias gostariam de entregar a mão de suas filhas para ele. A questão é que foi feita uma promessa à esposa no leito de morte: manteria a sua viuvez eternamente, sendo fiel a ela. Tanto que para ajudar a cuidar da casa e da filha pequena, ele contrata uma governanta com uma condição: que ela nunca apareça em sua frente.
É nesse momento que Alice entra na história, uma jovem que consegue fazer a diferença na casa de Argemiro e ele começa a sentir a presença dela em vários cantos da casa. Em pouco tempo a moradia tem outros ares e a menina, que tem um gênio difícil, começa a mudar depois de ter contato com a ‘intrusa’.
O que parecia evitável, aconteceu, Argemiro se apaixona pela alma de Alice, presente em todos os lugares da sua casa. Com esse desenrolar, outros personagens começam a surgir e mostrar a que veio. Nessa trama há a típica sogra cruel e implicante e o padre amigo da família. É com o religioso que o leitor começará a fazer algumas perguntas, querendo entender alguns ‘segredos’ que fazem parte do passado de muitos membros, com um em especial.
Para mim A Intrusa trouxe grandes reflexões no que diz respeito ao papel da mulher na época em que a história se passa e como a cultura machista era ainda mais presente nesse século. Algumas falas racistas também trazem incômodo, que apesar de considerar a “época em que foi escrita e quando a história se passava” (que merecem notas de rodapé em qualquer edição), é impossível tais fatos passarem despercebidos.