“Deitei-me à força com os senhores: e então a mim, não a ele matarás, o causador disto.”
ㅤDesta vez, assumo a responsabilidade por, na falta de um livro específico para “Andrômaca” aqui no Skoob, pôr como lido um livro que, na verdade, eu não li, embora eu planeje ler as demais obras de Eurípides. ㅤEnfim, “Andrômaca” foi provavelmente o meu primeiro contato com a mulher tal qual ela era vista na Grécia antiga - ou pelo menos, em Atenas -, e foi absolutamente chocante. ㅤDiferentemente de outras apresentações de Eurípides, onde possam haver a alegação de uma escrita misógina à nível do subtexto, em nenhum dos meus contatos com os demais trabalhos do dramaturgo, este aspecto esteve tão escancarado como está em Andrômaca. Onde, honestamente, quase todo o enredo, - principalmente quando este está centralizado entre Andrômaca e Hermione ou Menelau e Peleu, - é um ataque às mulheres. ㅤ E bem dizer, algumas passagens, para o leitor moderno, podem vir à ser deveras desconfortantes. Para exemplo: “E realmente uma doença pior do que a dos homens é esta de que adoecemos, porém nos comportamos bem.” “Nem se quisesse, uma moça espartana seria casta: elas com jovens abandonando suas casas com membros nus e peplos soltos corridas e ginásios comuns frequentam, o que não é suportável para mim.” ㅤApesar de tudo, sabendo que este era provavelmente apenas o ideal comum para a mulher ateniense na época, eu não desmerecerei a obra utilizando anacronismos… Pois isto, o próprio texto já o faz. Embora a peça leve o nome de “Andrômaca”, posso dizer seguramente que, embora de fato ela seja a protagonista ao longo dos primeiros momentos da peça, ela é muito mais um “objeto” à ser discutido pelos outros personagens, que realmente a personagem principal, não atoa, perto da segunda metade, Andrômaca apenas cessa de aparecer na trama e a história a ser contada torna-se a da morte de Neoptolemo e a fuga de Hermione. O que, para mim, é um ponto negativo, pois eu fui em busca de “Andrômaca” esperando ver Andrômaca. ㅤConcluindo, a peça me soou muito mais uma crítica do dramaturgo ateniense - Eurípides - à Esparta. O que é justo, dado o clima de Guerra do Peloponeso, e um ponto altíssimo do texto, embora tenha levado ao completo massacre de Menelau, um dos meus personagens preferidos na mitologia grega, que aqui encarna todos estes aspectos ruins que Eurípides planejava atribuir à sociedade espartana, tais como covardia, traição e fraqueza. Além disto tudo, também é interessante comparar “Andrômaca” com peças de períodos tardios, como “As Troianas”.

