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    O Deus da Fúria (Argonauta #305) - Coleção Argonauta nr 305

    Roger Zelazny, Philip K. Dick

    Livros do Brasil
    1980
    212 páginas
    7h 4m
    Português
    4.2
    3 avaliações
    Leram7Lendo0Querem6Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados6Avaliaram3

    "Deus Irae", 1976. Depois do verdadeiro acontecimento literário que foi a publicação de O Mistério de Valis (nº 300 da Colecção Argonauta), de Philip K. Dick, "o mais brilhante espírito na ficção-científica em qualquer planeta", na opinião insuspeita de Theodore Sturgeon, eis que surge outra obra não menos célebre: O Deus da Fúria (Deus Irae), escrita em colaboração com um autor não menos importante: Roger Zelazny. Depois da III Guerra Mundial, a Comissão de Energia Atómica, que a engendrou, fez nascer uma nova e misteriosa religião, em que o chefe da Comissão é adorado sob o título de Deus Irae, o Deus da Ira - o Deus da Fúria. Arrastados involuntariamente para uma perigosa peregrinação cujo objectivo é a descoberta de Deus Irae, Tibor McMasters, um pintor de murais, não não tem braços nem pernas, sabe por que foi escolhido, mas não consegue compreender o que ele - um herético vulnerável e inválido - poderá fazer para auxiliar a conspiração desesperada da nova Igreja Cristã. Pete Sands, um jovem cristão designado secretamente para proteger Tibor, sente a sua crença em perigo e pergunta a si próprio o que fará se Tibor encontrar de facto um Deus. Até encontrarem a Verdade Final. Literalmente Final. Introdução: Depois do sucesso de O Mistério de Valis, eis que outra das mais importantes obras de Philip K. Dick é vertida para a nossa língua. O Deus da Fúria (Deus Irae) foi escrito em colaboração com outro gigante da ficção-científica, Roger Zelazny, vencedor de dois Prémios Hugo e um Nebula, e é uma impressionante combinação de algo muito profundo, muito subtil, muito espiritual - e muito pragmático. Os pontos de contacto com O Mistério de Valis são óbvios, podendo dizer-se que O Deus da Fúria é a chave daquela obra.

    Resenhas (1)Ver mais
    Davenir Viganon picture
    Davenir Viganon19/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma visão de Deus num mundo pós-apocaliptico

    "O Deus da Fúria" (Dies Irae, 1976) é uma das obras de Philip K. Dick aborda a religião com mais profundidade tal como foi em "VALIS" e "Invasão Divina". Aqui o autor apresenta de forma mais clara a tese de um Deus que não é o da bondade e do amor, mas um deus de crueldade, fora dos padrões cristãos. Além de um romance, "O Deus da Fúria" é uma exegese do cristianismo. A história se passa em um futuro pós-Terceira Guerra Mundial, onde mais de 90% da população mundial foi dizimada, restando muito pouco da religião cristã, que definha em número de adeptos e os sobreviventes vivem com poucos recursos em uma terra arrasada pela guerra radioativa. Desse mundo emerge uma nova igreja, que cultua o Deus da Fúria, personificado no homem responsável por toda essa destruição, Carleton Lufteufel. O protagonista é Tibor McMasters, um artista membro da Igreja dos Servos da Fúria. Ele foi incumbido da missão de pintar um mural em uma igreja retratando o Deus da Fúria como figura central. Contudo, Tibor nasceu sem os braços e as pernas, e se locomove em uma charrete movida por uma vaca e utiliza dois braços mecânicos. A obra é basicamente a viajem de Tibor para encontrar pessoalmente o Deus da Fúria/Carleton Lutfeufel para se inspirar e começar sua obra. Antes da viajem de Tibor, temos muitas páginas para apresentar alguns personagens secundários, que iniciam o romance conversando com Tibor. Temos o padre Handy, da igreja dos Servos da Fúria; o Dr. Abernathy, um padre da antiga crença cristã e Peter Sands, um cristão convertido que utiliza de drogas alucinógenas para alcançar o divino e que ajuda Tibor em sua peregrinação. A leitura não é fácil, pois apesar das ideias principais não serem tão complexas de entender, as muitas referências durante os diálogos exigem um entendimento de cristianismo acima da média. A edição da Argonauta também não facilita pois não traduz os trechos em alemão que os personagens citam, o que seria útil para entender o tema complexo que tratam, apesar dos próprios personagens confessarem que não entendem o conteúdo de suas próprias referências. Algo semelhante ao clássico "Um Cântico Para Leibowitz", onde a ciência como sistema de conhecimento é perdida e seus fragmentos são apenas referencias exaltadas fora do seu propósito, mas em "Deus da Fúria" esse cenário não é usado para ressaltar a ciência, mas a própria religião como forma de chegar a deus. O livro é recheado de reflexões, debates teológicos de pontos de vista diferentes, que travam um pouco a história no primeiro terço parecendo que não vai levar a lugar algum mas isso muda no restante do livro. O Deus da Fúria foi um projeto que Dick começou e depois abandonou pois não tinha conhecimento suficiente sobre o cristianismo e foi retomado apenas quando Roger Zelazny, se entusiasmou com a história e mudou bastante o conteúdo final. O resultado foi uma obra prolixa e até difícil de digerir com pouco conhecimento sobre o cristianismo, pois é recheada de referências (influência de Zelazny), porém a ideia geral é martelada durante toda a obra. Recomendo para leitores avançados de Philip K. Dick e para leitores que já tenham feito alguma leitura mais profunda sobre o cristianismo.

    3 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 3
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Roger Joseph Zelazny  profile picture

    Roger Joseph Zelazny

    Roger Zelazny foi um escritor de fantasia, ficção científica, contos e romances. Ele ganhou o prêmio Nebula por três vezes (total de 14 nomeações) e o prêmio Hugo por seis vezes (total de 14 nomeações), incluindo dois Hugos pelos romances: “... e me chame de Conrad” (1965) e, em seguida, pelo romance “Senhor da Luz” (1967).<BR> <BR>Em suas histórias, Roger Zelazny freqüentemente retratada um mundo familiar com sistemas de magia e/ ou casualmente seres sobrenaturais. Embora seus primeiros trabalhos tenham maior aclamação da crítica, Zelazny é provavelmente mais conhecido pelo romances de Amber.

    29 Livros
    18 Seguidores
    Ohio, Estados Unidos

    Roger Joseph Zelazny