Uma fonte de água corrente translúcida e límpida, semelhante a uma cascata, brota dos ombros de Ruth. E, na verdade, aquela fonte borbulhante compõe suas asas. Aparentando ter uns vinte e poucos anos e com um lindo cabelo que chega aos ombros em cachos espirais, Ruth é ligeiramente luminosa, como se luzes minúsculas circulassem por suas veias. Ruth agora é um anjo da guarda. Alguns deles são mandados de volta para cuidar de irmãos, filhos, pessoas com quem se importavam. Mas Ruth recebeu outra incumbência. Ela deveria cuidar de Margot Delacroix, ela mesma em outra existência e dimensão. Este é o ponto inicial da trama de O diário do anjo da guarda, da escritora irlandesa Carolyn Jess-Cooke. Nele, a autora aborda a espiritualidade com encanto e sutileza. Encontrada assassinada num quarto de hotel em Nova York, Margot terá, com a ajuda de Ruth, uma outra chance e poderá refazer sua trajetória. Mas, para cuidar de Margot, Ruth deve obedecer a quatro regras, ditadas pela sua orientadora, o arcanjo Nandita. A primeira é que ela será testemunha de tudo o que sua protegida fizer, tudo o que ela sentir, todas as experiências. A segunda é que Ela deve proteger Margot, pois muitas forças tentarão interferir nas suas escolhas. Além disso, como anjo, ela deve manter um registro de tudo o que acontecer. Mas acima de qualquer orientação recebida por seus superiores, Ruth deve amar Margot. O que sutilmente significa aprender a amar a si mesma. A lição será apreendida passo a passo. Ruth acompanha e auxilia no doloroso parto de sua protegida e de uma só vez presencia a morte da sua mãe e a chegada tardia de seu jovem pai, pessoas que nunca conhecera naquela existência. Dotada de poderes especiais, ela pode ler pensamentos, ver através do corpo humano, detectar detalhes do funcionamento de órgãos humanos e possíveis doenças. Como anjo da guarda, porém, ela não pode interferir nas escolhas da menina, mas tem permissão para inspirar pessoas próximas e aliviar o sofrimento inevitável que ela teria que atravessar. Adotada nos primeiros dias de vida por Bern, um advogado bem-sucedido, e Una, uma mulher sensível e delicada, Margot teria tudo para se tornar uma pessoa ajustada, com grande probabilidade de ter uma tendência menor para a autossabotagem. No entanto, o fio do destino atuou negativamente. Os pais morrem na explosão de um carro causada por um terrorista. Desamparada, Margot é adotada pelo casal Padraig e Sally Teague, cujos sorrisos são tão falsos como suas intenções. A decisão da guarda da menina foi tomada numa manhã ensolarada, depois que Padraig leu no jornal um anúncio que procurava pais adotivos pelo valor considerável de 25 libras por semana. Com este status, eles poderiam manter o trabalho de imigração ilegal. Abandonada, desnutrida, maltratada e até espancada, Margot sobreviverá graças à atuação de Ruth, que inspira outras pessoas a ajudarem a pequena órfã. Em O diário do anjo da guarda, Carolyn Jess-Cooke conduz o leitor a um universo de seres angelicais capazes de fazer a diferença quando a vida torna-se dura e violenta. Nele, ninguém está desprotegido. Basta acreditar.
O diário do anjo da guarda -
Carolyn Jess-Cooke
Como eu já tinha comentado com vocês neste meme, O Diário do Anjo da Guarda foi um livro que eu adquiri exclusivamente pela capa. Não sabia nada sobre a história nem li a sinopse antes de comprar. Só vi essa belezura de capa e soube que precisava tê-la na minha estante! Claro que, pelo título, eu já imaginava que haveria um tema sobrenatural, mas imaginei se tratar de mais um jovem adulto a povoar as livrarias. Porém, me enganei redondamente. Carolyn Jesse-Cook escreveu um drama adulto muito bem construído onde Margot Delacroix se vê morta e percebe que será anjo da guarda de si mesma (?). Isso mesmo, ela volta a terra como um anjo para cuidar de si mesma desde o nascimento. Já dá pra ver aí que os conceitos de tempo x espaço são bem confusos no livro… Por isso, a temática central é aquela velha história: o que você faria diferente se pudesse viver tudo de novo? Margot, que agora é chamada de Ruth, aprende logo que não poderá interferir tanto quanto gostaria. Apesar de ter uma espécie de segunda chance, não é muito agradável ter que reviver seus piores momentos. Não quero contar muito do enredo porque ele é delicioso pela surpresa e deve ser revelado aos poucos. Gostei muito da narrativa da autora, é direta, concisa e bastante agradável ao leitor. Além de deixar muita margem para divagações, a autora estimula a reflexão sobre nossos atos, sobre como uma única palavra pode mudar todo nosso futuro e também sobre a ligação espiritual que temos com nossos protetores. Achei bem interessante a forma como Carolyn retratou a hierarquia celestial, as diferenciações ou falta delas entre bem e mal e o fato de quase todos os anjos apresentados serem parentes ou conhecidos de seus pupilos. Isso cria uma ligação única, que pode ser aproveitada na hora de proteger quem está sendo guardado pelo anjo. A obra não é muito extensa, mas após o término parecia que eu tinha lido umas 500 ou 600 páginas. A trama é tão densa e complexa que tem esse efeito sobre o leitor. E o final, ah! o final! é tão marcante e cheio de esperanças que me lembrou o de A Estrela Mais Brilhante do Céu. É daquele tipo que pode não ser o mais feliz, mas você sente que é o certo para aquela história. Quem gosta de dramas e procura um livro bem diferente do que está na moda atualmente, com certeza irá adorar O Diário do Anjo da Guarda. E quem, como eu, adora os livro do momento, com certeza também tem a chance de gostar! Resenha em http://mundodaleitura.net/?p=5085
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