Aborda a biogeografia das ilha
Livro de autoria de David Quammen, escritor reconhecido por suas obras sobre ciência, natureza e viagens. Entre outros livros, escreveu Contágio: infecções de origem animal e a evolução das pandemias, que ganhou popularidade diante dos acontecimentos de 2020 e já foi resenhado aqui. Em The Song of the Dodo, Quammen aborda a biogeografia das ilhas. Como é quase senso comum, as ilhas, devido ao seu isolamento, costumam abrigar espécies bastante exóticas, como as tartarugas gigantes de Darwin (Galápagos) ou o Dodô (Maurício) que ilustra essa capa. Porém, o foco do livro não é sobre novas espécies, mas sua extinção em decorrência da ação humana. Também pelo isolamento e área restrita, as espécies que habitam ilhas tendem a correr mais risco de extinção, pois a troca com outros ambientes é baixa ou mesmo nenhuma. O autor extrapola o conceito para além das ilhas tradicionais, incluindo um novo tipo de ilha bastante comum na atualidade: pedaços de floresta cercados de cidade por todos os lados. Inclusive, Quammen dedica alguns capítulos às reservas ambientais na Amazônia e na Mata Atlântica, que têm se mostrado insuficientes para a preservação de espécies ameaçadas. É um livro longo, em inglês e cheio de termos técnicos e nomes em latim, o que torna a leitura um pouco cansativa, mas vale a pena para ter a compreensão do impacto que o homem exerce sobre o meio ambiente e o risco que impõe à biodiversidade. Em resumo, se as coisas continuarem como estão, o futuro nos reserva um planeta habitado somente por humanos, vacas, porcos, ovelhas, cães, gatos, eucaliptos e grãos. A destruição é tão grande, que alguns autores já falam em uma sexta grande extinção, como a dos dinossauros, mas essa causada pelo homem não por asteroides ou eras glaciais. Em breve postarei uma resenha sobre isso.

