Um livro que parece uma novela mexicana, mas sem a classe de uma. “Love Story” conta a história de Erin Blackwell, uma garota rica, que vivia com a avó em uma fazenda no Kentucky. Erin perde o direito a sua herança para o cavalariço Hunter Allen e vai, por conta própria, estudar Escrita Criativa em Nova York. Já adianto que o livro foi decepcionante para mim. Jennifer Echols tem uma narrativa leve e fluída, o que me fez ler “Love Story” em um único dia, mas achei a história e os personagens fracos. Até pode ser eu não tenha entendido a essência do livro, mas tenho minhas razões para ter odiado.
Quando resolvi ler “Love Story”, fiquei animada com a possibilidade de acompanhar um enredo que se passasse em uma universidade americana. E, melhor, em Nova York. Imaginei que pudesse ser parecido com Felicity – uma das minhas séries favoritas –, mas não foi. Senti falta da vida universitária em “Love Story”. Senti falta das festas, da ansiedade por causa dos exames, das aulas e de uma descrição mais detalhada de como é viver em um dormitório estudantil. Temos as aulas de Escrita Criativa, mas só – e são, de fato, os melhores momentos do livro. Também senti falta de Nova York. Erin passou a vida em uma fazenda no Kentucky; agora, estava vivendo em uma das cidades mais frenéticas dos Estados Unidos, repleta de lugares interessantes para se conhecer. O que a gente faz em uma situação como essa? Vive a experiência. O que Erin faz? Nada. Logo no início da história, Erin diz que quer viver Nova York. Mas não o faz realmente.
A ambientação é só um detalhe que eu poderia deixar passar facilmente. O que me irritou, de fato, foi a personagem principal e toda a situação em que estava envolvida. Não senti convicção em Erin, não me simpatizei com sua personagem. Seu desejo era estudar Escrita Criativa em Nova York. Como qualquer pessoa, ela estava correndo atrás dos seus sonhos. Mas Erin lamentava sua decisão a todo instante. Vivia dizendo e esfregando na cara de todos que “precisava trabalhar duro para conseguir sobreviver em Nova York”. Correr atrás daquilo que ser quer nem sempre é fácil e exige sacrifícios. Se Erin fosse menos idiota – porque ela é uma personagem idiota –, entenderia aquilo como parte da realização de um sonho e não apenas como um castigo. Sinceramente, não aguento esse tipo de mimimi. Se eu tivesse a oportunidade de estudar Escrita Criativa em Nova York, não me importaria de não ter mais meus creminhos caros. Não faria disso uma grande tragédia.
O romance entre Erin e Hunter também não convenceu. Todos os conflitos entre eles poderiam ser resolvidos com uma conversa sincera e alguns palavrões. Por que construir e manter um diálogo é tão difícil em “Love Story”? Antes fosse por uma questão de orgulho. Eu entenderia se fosse. Mas não acho que seja o caso dos personagens nesse livro, já que eles fazem coisas muito piores, muito pior do que uma conversa sincera. Devido a falta de diálogo, Erin e Hunter se colocam em situações completamente desnecessárias, baixas e impulsivas. As reviravoltas no final do livro parecem enredo de novela mexicana, mas sem a pompa e a beleza de “A Usurpadora”.
O fim de “Love Story” é broxante. Não há palavra que explique melhor. Quando a história finalmente chegava no clímax, acabou. Levei um susto quando percebi que faltavam apenas cinco páginas para acabar e os conflitos não haviam sido resolvidos ainda. Não houve desfecho. Um livro pode, sim, ter um final aberto e ainda ser interessante – “O Caçador de Pipas” e outros livros nos mostram que isso é possível. O final aberto em “Love Story” não o torna mais interessante, sequer tem sentido. Só torna pior aquilo que já estava ruim. Parece que a autora terminou o livro nas coxas. Reli o final umas cinco vezes, tentando encontrar um sentido oculto, mas não havia nada ali.
Não senti que os personagens amadureceram com o decorrer da história. Não senti que houve mudanças em Erin ou Hunter, muito menos que aprenderam qualquer coisa com suas experiências. Não é moral da história, não. É crescer e amadurecer. Algo natural na vida. Por isso que gosto tanto da Sarah Dessen como escritora de livros adolescente, pois sinto que seus personagens crescem gradualmente, o que não ocorreu na história de Jennifer Echols. Senti falta também dos personagens secundários. Temos a Summer, a Jordis e alguns outros, mas que não são explorados como personagens. Não conhecemos suas histórias. Acho terrível quando um autor não explora seus personagens secundários. Outro erro gravíssimo foi o conflito mal resolvido entre avó e neta. A história gira em torno disso, mas não temos respostas ou explicações ao final. Durante todo o livro, eu esperei que as duas conversassem e que Erin finalmente enfrentasse sua avó, mas é claro que não aconteceu. A autora não soube explorar a avó de Erin, um personagem que considero importantíssimo no enredo. “Love Story” foi um erro atrás do outro.
Não recomendo. Aliás, eu preferia ter acompanhado o romance de banca entre Rebecca e David (da história "fictícia" no primeiro capítulo) do que a romance nada empolgante de Erin e Hunter. Assim como a Erin, acho que Jennifer Echols precisa fazer aulas de Escrita Criativa. Brincadeira. Como muitas pessoas falam bem da autora, pretendo dar outra chance a ela. Quem sabe outro livro dela não seja melhor...