Em A árvore vermelha, valendo-se de imagens totalmente oníricas, o ilustrador australiano Shaun Tan conduz sua personagem (uma menina ruiva que acaba de despertar) por paisagens desoladoras. Para ela, o dia começa sem promessas, as coisas desandam, a escuridão espreita. Errando pelas ruas de uma cidade surreal e catastrófica, sua esperança se esvanece sem explicação. Porém, ao findar do dia, voltando a seu quarto sombrio, a menina testemunha o retorno da vida: um minúsculo broto que, graças à luz, num virar de página, se transforma em uma grande árvore vermelha. Publicado pela primeira vez no Brasil, Tan brinda os jovens leitores com um livro de imagens complexas, encadeadas de modo não-linear e concebidas com mistura de diferentes técnicas (pintura, colagem etc.). Tais imagens descrevem metaforicamente sentimentos estranhos e familiares que exteriorizam a angústia sob a forma de monstros, dilúvios e desastres. Dada sua riqueza de detalhes e a natureza ambígua do diálogo que estabelecem com o texto, elas também exigem do leitor uma disposição muito livre e ativa, capaz de atualizar os significados latentes de cada página à luz das próprias inquietações. Segundo Georges-André Vuaroqueaux, pesquisador do Centro de História Cultural das Sociedades Contemporâneas da Université de Versailles Saint Quentin-en Yvelines, França, trata-se de “um álbum espantoso, de rara sensibilidade, sobre sentimentos que nem sempre podem ser traduzidos em palavras. Com um texto belo e preciso, as imagens se sucedem de modo desconcertante [...]. A cada página Shaun Tan nos lembra que, mesmo nas piores catástrofes, a esperança não para de renascer.” A árvore vermelha recebeu os prêmios Patricia Wrightson de Melhor Livro Infantil, do New South Wales Premier's Literary, na Austrália, em 2002, e Octogone, do Centre International d'Etudes en Litterature de Jeunesse, na França, em 2003. Sobre o autor – Shaun Tan nasceu em 1974 e cresceu em Perth, no leste da Austrália. Formou-se em 1995, pela Universidade da Austrália Ocidental, em Belas-Artes e Literatura Inglesa, e iniciou sua carreira ilustrando histórias de horror e ficção científica em revistas de pequena circulação. Desde então, recebeu inúmeros prêmios, incluindo o prêmio de Melhor Livro Ilustrado do CBCA (Children’s Book Council of Australia), pela obra The rabbits [Os coelhos], composta em parceria com John Marsden. Em 2001, foi nomeado o Melhor Artista no World Fantasy Awards, em Montreal, Canadá, e trabalhou ainda em filmes de animação dos estúdios Blue Sky e Pixar.
