Um Ramo para Luísa apresenta uma narrativa sintética, uma linguagem cinematográfica, que enquadra em takes velocíssimos a vida amarga de seres humanos em meio à noite da metrópole desumana. É um retrato sem retoque de Copacabana, onde circulam homens e mulheres, moedas e garrafas, onde a solidão insiste em não ceder um centímetro de espaço para a redenção que só o amor pode trazer a personagens condenados ao infortúnio.
Um Ramo para Luísa -
José Condé
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Ver maisUm amor não tão amor assim
Um retrato de um homem apaixonado por uma prostituta parece ser o resumo mais fiel da obra. Mas não é apenas isso. Em Um ramo para Luísa, José Condé nos mostra uma fauna de seres humanos buscando o sucesso, o poder, o dinheiro, enfim a sobrevivência. Enfim, não é sobreviver que todos nós queremos? O mais interessante no livro (a meu ver, pelo menos) são as técnicas que o autor utilizou, que, embora tenham se tornado quase obrigatórias na literatura contemporânea, funcionam bem para contar a história desse amor, que, a bem da verdade, parece mais obsessão do que propriamente amor. Fazendo uso de vozes alternadas, capítulos mais ou menos extensos, bilhetes manuscritos, diálogos entrecortados, vozes de personagens distintos em uma mesma sequência, digressões, flashbacks, trechos de poemas, notícias de jornais, transcrição de colunas sociais e por aí vai, a escrita do autor nos traz uma diversificação que, de outra forma, acabaria tornando monótona e trivial essa novela. No entanto, (a meu ver, mais uma vez), o ponto fraco é a construção dos personagens. Parece que o autor decidiu usar apenas arquétipos (o gay fofoqueiro e inconsequente, a amante sensual, a jornalista competente, o amante ciumento, a rival da prostituta, o malandro aproveitador, a esposa insatisfeita) ou talvez simplesmente o autor tenha decidido não se aprofundar nos personagens secundários (que não são tão poucos assim) para focar no relacionamento entre o protagonista/narrador e a prostituta. E, mesmo assim, o relato desse relacionamento não parece ser o foco da obra... Em suma, a pergunta de sempre: vale a pena ler? Claro que vale a pena. Mesmo não sendo uma grande obra, ainda assim está vários degraus acima do que se escreve hoje. Engraçado: Jorge Amado afirma no prefácio da obra: Novela para grande público e não para um grupelho de subliteratos esteticistas posando de gênios. E isso foi escrito em 1959. Hoje, talvez essa obra seja justamente uma obra considerada esteticista pela diversidade de técnicas utilizadas ainda mais se compararmos com a pobreza da enxurrada de romances e novelas publicados em que até mesmo as capas parecem ser feitas pelo mesmo molde...
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